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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Trabalhadores

Patrões à portuguesa

22.07.21, Alice Alfazema
Ilustração Andrei Popov   Há por aí uma cultura que murmura palavreado de aversão aos trabalhadores, diz-se aqui e ali que quer-se é emprego e não trabalho, que trabalho há muito, só não trabalha quem não quer. Mesmo a comunicação social evidencia, e em muito, os constrangimentos que as greves deixam no rastro dos dias de luta. Como se não fosse necessário abdicar de dias de salário para demonstrar que se existe. Raramente se vê questionar as causas, os baixos (...)

Curas de sono

e limpeza astral

22.07.21, Alice Alfazema
  Digo-vos meus amigos, que a melhor maneira de viver esta vida é com muita calma e tranquilidade, a isto podemos e devemos juntar as sestas rápidas, curtas, ou prolongadas, o importante é ir fazendo várias ao longo do dia. A alimentação deve ser feita pelo dono preferido com os melhores ingredientes e ao gosto canino, o local de retiro deverá dar a maior abrangência sobre o que se passa na casa de forma a estar-se o mais informado possível com o menor esforço despendido. (...)

"Eramos + livres quando o telefone estava preso nas paredes"

01.07.21, Alice Alfazema
Ilustração Jenni Murphy Li esta frase, que é titulo de um livro de poesias, e é verdade éramos mais livres quando o telefone estava preso nas paredes. Agora por todo o lado somos observados, e obrigados a estarmos conectados, sabem que vimos as mensagens e que não nos apeteceu responder, sabem em que local estamos, a que horas, durante quanto tempo, Quase não há tempo nem espaço para loucuras. Namorar tornou-se um acto quase público, como era bom namorar quando apenas os (...)

Descolaborar

06.06.21, Alice Alfazema
  Ilustração Alberto Pancorbo Há medida que o tempo passa e a sociedade se transforma noutras dinâmicas adoptam-se novas formas de interpretar as palavras, por vezes distorcendo a realidade, para  o mesmo fim. Se num passado relativamente recente se atribuía a palavra trabalhador a quem vendia a sua força de trabalho, seja ela qual fosse, hoje é frequente ouvirmos falar em colaboradores, dando assim um ar mais levezinho à árdua tarefa de trabalhar, diz-se até que o (...)

Ao abandono ou a caminho da Liberdade?

02.06.21, Alice Alfazema
Não tenho pressa: não a têm o sol e a lua. Ninguém anda mais depressa do que as pernas que tem. Se onde quero estar é longe, não estou lá num momento.   Sim: existo dentro do meu corpo. Não trago o sol nem a lua na algibeira. Não quero conquistar mundos porque dormi mal, Nem almoçar o mundo por causa do estômago. Indiferente? Não: filho da terra, que se der um salto, está em falso, Um momento no ar que não é para nós, E só contente quando os pés lhe batem outra vez na terra, Traz! na realidade que não falta!