Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Sophia - A Eterna Menina do Mar

06.11.19, Alice Alfazema
    Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta Continuará o jardim, o céu e o mar, E como hoje igualmente hão-de bailar As quatro estações à minha porta.     Outros em Abril passarão no pomar Em que eu tantas vezes passei, Haverá longos poentes sobre o mar, Outros amarão as coisas que eu amei.         Será o mesmo brilho, a mesma festa, Será o mesmo jardim à minha porta, E os cabelos doirados da floresta, Como se eu não estivesse morta.       Poema Sophia de (...)

Presença

06.06.19, Alice Alfazema
  Fotografia Artur Pastor   Há no mar uma presença que me chama, são vozes vindas de longe, de muito longe, onde a minha alma liquida quereria chegar. Não sei localizá-las, apenas as sinto. Estarão brincando nas ondas? Ou em águas profundas? No meio de tempestades? Ou em mares cristalinos? Sinto o sal na boca e nos dentes, incham-me os lábios da salmoura. Fico assim durante horas. É como se o mar falasse por mim.   Aquelas águas escuras fazem-me sonhar com mil mundos ali (...)

#diariodagratidao 05-02-2019

05.02.19, Alice Alfazema
  No meu trabalho temos uma sala destinada aos auxiliares, é onde almoçamos e descansamos durante a hora do almoço. Existe uma mesa redonda ao centro da sala, uns sofás, um frigorífico, uma televisão, um micro-ondas e alguns cacifos. Aquela mesa como é redonda chega sempre para mais um, mas aquilo que quero referir hoje aqui é o facto de aquela mesa ter quase sempre alguns mimos em cima dela. São mimos trazidos pelas colegas que os colocam ali naquele poiso central. Muitas vezes (...)

#diariodagratidao 27-01-2019

27.01.19, Alice Alfazema
  Ilustrações Linde Faas   Por estes dias houve um acontecimento muito importante na minha vida profissional. Já tenho falado inúmeras vezes onde trabalho e o que faço, outras tantas dei aqui a minha opinião de como o meu trabalho é visto pela sociedade e o facto de nunca ser valorizado. São anos a falar nisto, aqui e lá. Pois aconteceu que depois de tanto reclamar da forma como são vistos os auxiliares de educação, eis que assisti a um reconhecimento público do nosso (...)

Palavras

09.05.17, Alice Alfazema
    Morre-se de amor. Também se morre dessa doença cruel e implacável, que a sociedade moderna criou e parece não estar muito preocupada em exterminar - o desprezo pelos outros.     Baptista Bastos       Alice Alfazema

Missão

11.11.16, Alice Alfazema
    Trabalhei no meu trabalho Dormi no meu sono Morri na minha morte E agora posso abandonar Abandonar aquilo que faz falta E abandonar aquilo que está cheio Necessidade de espírito E necessidade no Buraco Amada, sou teu Como sempre fui Da medula aos poros Do anseio à pele Agora que a minha missão Chegou ao fim: Reza para que me seja perdoada A vida que levei O Corpo que persegui Perseguiu-me igualmente O meu anseio é um lugar O meu morrer, uma vela.   Leonard Cohen - Livro (...)