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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Advento 2021

Dia 6

03
Dez21

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O sentimento de Gratidão aparece quase sempre ligado à Generosidade, dum lado está quem recebe e do outro quem dá, é difícil explicar aquilo que se sente quando colocamos a gratidão no nosso coração, sendo um sentimento luminoso é talvez como quem tem frio e acende uma fogueira para se aquecer, é desde a primeira chama um aconchego que nos aquece enquanto nos lembramos que é da generosidade que ele nasceu, e a generosidade tem nome de gente? Tem. 

Hoje, nasceu da Generosidade do José, da Isabel e da Olga, o nosso livro de Contos de Natal - Prendas escritas dos blogs para o mundo. 

Estou-vos Grata.   

 

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Flores

19
Out21

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Ilustração Anne Cotterill

É surpreendente como vivem as flores através duma pintura, deixando pela mão de quem as pintou o seu perfume em modo infinito, colocadas na tela são eternizadas pelo momento, ficaram junto delas e assim capturadas: a luz daquele dia, a melancolia daquela tarde e a finitude de um pensamento.

 

 
Há sempre um anjo que vela
Sob a forma de um gesto
De uma palavra
De um sopro
De um acorde
De um abraço
De um voo súbito
De uma canção.
Ao alcance do que nem pedimos.
 
 
O poema é de Maria José de Barros 

Almocinho de domingo

20
Jun21

almocinho.jpg

Durante muitos anos a minha alimentação foi essencialmente à base de peixe, peixe bem fresco, acabado de pescar pela madrugada, lá em casa era raro comer-se peixe ou carne congelada. A não ser quando o velho lobo do mar chegava da Mauritânia e trazia garoupas, pargos rosados, lagostas, corvinas, cada posta ultrapassava largamente o diâmetro do prato, nessa altura eu não sabia o quanto era privilegiada por ter à mesa destes manjares, desconhecia completamente o que era carne com gordura, nem sabia que se cozinhava entremeada, só a partir dos vinte cinco anos conheci tal iguaria. 

A minha cozinha cheira a Algarve e a Alentejo, muitas das vezes os dois se misturam, trazendo deliciosas memórias que teimo em partilhar. De há dois anos para cá que voltei a privilegiar a compra de produtos locais, são sabores  mais genuínos, com pouco tempo de recolha entre o produtor e o consumidor, são produtos da época, com a sabedoria da Natureza. Hoje deliciei-me com morangos maduros da zona de Palmela, grelos de couve-nabo, chocos frescos da nossa costa de entre outros que comprei. 

Há quem afirme que os produtos são mais caros que nas lojas comerciais onde existem variadas promoções, não vejo isso, sendo que hoje comprei os morangos a euro e meio o quilo, ora onde é que se conseguem promoções destas nos super, vendem sim a esse preço mas é só meio quilo, alfaces tenras e saborosas a cinquenta cêntimos, e não são pequeninas, toda a fruta tem a doçura que o sol lhe confere. 

Encanta-me aquela relação de proximidade entre quem produz e quem compra,  é um gosto ver o orgulho com que descrevem os seus produtos. Encantam-me aquelas mãos de dedos grossos e marcados pelo sol, marcas de labuta. É com enorme gratidão que trago isto tudo para casa.