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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Olhar

Verão 2020

21.06.20, Alice Alfazema
  Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovakloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: - Pai, ensina-me a olhar!   (...)

Que caminho é este

29.09.19, Alice Alfazema
Que caminho é este, que parece levar ao mar, mas não, para além dele há serras e montes, só depois os rios e o mar. É um caminho estreito, com uma estrada já gasta, pouco estimada, ladeada de seres silenciosos e verdes, que abanam com o vento, acolhem a chuva e os pássaros, tem compromissos com os insectos, dão sombra fresca e purificam o ar que respiramos.   Que caminho é este que percorremos em estado neurótico, dando prioridade à especulação, ao egoísmo e à ganância. (...)

Nã vale a pena a gente andar cá com manias…

03.02.18, Alice Alfazema
Tenho o resto do cozido que ficou do jantar de ontem ao lume, estou a acrescentar mais repolho, não tarda nada está toda a gente aí para almoçar, devem de vir esfaimados. Lá fora está um frio de rachar qualquer pele que se esgueire à portada. Já estendi roupa e já a recolhi, passei mais um monte dela, aspirei e dei um jeito pela casa. Em resumo vou dizer que não fiz nada. Que é aquilo que as mulheres dizem à segunda feira quando voltam ao emprego.    Também já coloquei (...)

Sofrimento

25.10.16, Alice Alfazema
  Ilustração Marisa McConkie     É preciso muito para conhecer o sofrimento alheio, é necessário desprender-se das crenças enraizadas no nosso quotidiano, pensar, pensar além daquilo que conhecemos, daquilo que somos.   Hoje vemos o sofrimento como uma banalidade, como uma causa escolhida, vemo-lo na televisão, nos jornais e revistas, no bairro do lado, na cidade dos outros, em outros países, noutro continente.   A violência das palavras e das imagens fazem parte do menu (...)