Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Nã vale a pena a gente andar cá com manias…

03.02.18, Alice Alfazema
Tenho o resto do cozido que ficou do jantar de ontem ao lume, estou a acrescentar mais repolho, não tarda nada está toda a gente aí para almoçar, devem de vir esfaimados. Lá fora está um frio de rachar qualquer pele que se esgueire à portada. Já estendi roupa e já a recolhi, passei mais um monte dela, aspirei e dei um jeito pela casa. Em resumo vou dizer que não fiz nada. Que é aquilo que as mulheres dizem à segunda feira quando voltam ao emprego.    Também já coloquei (...)

Sofrimento

25.10.16, Alice Alfazema
  Ilustração Marisa McConkie     É preciso muito para conhecer o sofrimento alheio, é necessário desprender-se das crenças enraizadas no nosso quotidiano, pensar, pensar além daquilo que conhecemos, daquilo que somos.   Hoje vemos o sofrimento como uma banalidade, como uma causa escolhida, vemo-lo na televisão, nos jornais e revistas, no bairro do lado, na cidade dos outros, em outros países, noutro continente.   A violência das palavras e das imagens fazem parte do menu (...)

Micro contos - O pica miolos

06.12.15, Alice Alfazema
  Ilustração  Andrea Rivola   Vomita em jorro as palavras como quem sente um indisposição incontrolável. Depois, olha atentamente para as reacções dos outros a quem dirigiu o seu vomito. Aí começa a desenhar um sorriso no próprio rosto, fica  feliz, à medida que aumenta a lista dos miolos que já picou.    Alice Alfazema

Acreditar

22.02.14, Alice Alfazema
Ilustração Daniel Montero Galán     A coscuvilhice atingiu níveis globais, tornou-se a maior estrada de interacção planetária, com ela cresceram os medos e as confusões. Acreditar tornou-se um estado louco de ser. Querer acreditar é assim trocado pelo que os outros dizem. Acreditar em si mesmo é então um borrão de tinta que tem de ser aprovado. Velhice precoce da alma, e da vontade única de cada ser. (...)

Gente da minha terra

13.09.10, Alice Alfazema
  É meu e vosso este fado destino que nos amarra por mais que seja negado às cordas de uma guitarra Sempre que se ouve um gemido duma guitarra a cantar fica-se logo perdido com vontade de chorar Ó gente da minha terra agora é que eu percebi esta tristeza que trago foi de vós que a recebi E pareceria ternura se eu me deixasse embalar era maior a amargura menos triste o meu cantar Ó gente da minha terra Ó gente da minha terra agora é que eu percebi esta (...)