Prémio Nobel da Fantochada
Ilustração Vasco Gargalo
Prémio Nobel da Paz
#NobelPeacePrize #Trump #Netanyahu #gaza #palestine
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Ilustração Vasco Gargalo
Prémio Nobel da Paz
#NobelPeacePrize #Trump #Netanyahu #gaza #palestine
Vezes sem conta é repetido o cenário de fogo que assola Portugal há semanas, enquanto o primeiro ministro e o presidente da república andam a banhos pelo reino dos algarves, entre copos de cerveja, para eles ficou para primeiro plano o anúncio da vinda do espectáculo da fórmula um, condiz perfeitamente com aquilo que se passa na actualidade: uma guerra não é uma guerra, é antes uma crise; um genocídio não é um genocídio é uma defesa de um país contra o terrorismo; um dos candidatos ao prémio nobel da paz é um dos gajos que faz negócios de armas e de moral duvidosa.
Por isso está tudo bem, e em perfeita harmonia com os valores que se querem para esta nova realidade.
Tarek al-Farra é um jovem de 23 anos que tinha uma vida em Gaza, tal como tantos jovens em Portugal e por esse mundo fora, mas como bem sabemos tudo se alterou para um cenário dantesco de assassinatos à população, feitos a céu aberto, e assim num repente todos os sonhos se esvaem, pode-se dizer que em sangue e em dor.
Dá-me a sensação de que vamos a caminho de outra época de trevas, uma idade média dos tempos modernos, era bom que tivéssemos ou pudéssemos aceder à nossa memória genética, talvez tudo fosse mais harmonioso e pudéssemos construir um mundo emocionalmente mais inteligente.
E como se tudo isto não bastasse, as redes sociais são as novas arenas, em que o povo reclama sangue e dor sem qualquer empatia ou réstia de humanidade (se bem que eu duvido, cada vez mais, sobre o seu significado).
Nas imagens seguintes, podemos ver a universidade onde o jovem estudava, o próprio quando tinha uma vida que podia almejar alguns sonhos e a última revela o que resta da sua casa: a chave.
Mais em baixo transcrevo alguns dos comentários que estão no Facebook da noticia realizada pela CNN Portugal, não é que seja importante dar palco a gentalha, mas é isto que está a transformar o nosso mundo num lugar pior, porque isto não é assinalado como maldade, mas como opinião.

"A carta de aceitação na Universidade Nova de Lisboa é o bem mais precioso que Tarek al-Farra, de 23 anos, tem. Um bilhete para o futuro, entre escombros, pó e o calor sufocante de uma tenda improvisada em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza.
No papel, a vida dele já deveria estar a mudar. No próximo 16 de setembro, começam as aulas do mestrado em Estudos Ingleses e Norte-Americanos. Na prática, está preso num território cercado, onde cada passo para fora da tenda pode ser o último."

"Não são apenas paredes e um teto. É o calor, o conforto e a vida que conhecia. Desde esse dia, tenho andado deslocado, como qualquer outra pessoa aqui. De lugar em lugar. A perseguir o cheiro de um lar que já não existe. À procura do abraço de um quarto que me acolhia, do cheiro da comida da minha mãe na cozinha, das gargalhadas dos meus irmãos. A minha casa era simples, mas era o único lugar no mundo que sentia verdadeiramente como meu".
Tarek al-Farra
Noticia e fotos retiradas de CNN Portugal
Comentários à notícia:
"Quero recordar às Universidades que muitos jovens portugueses de Portugal que gostariam de ter possibilidades de estudar numa universidade em Portugal e não podem e outros que já estão a estudar numa Uni. e derivado ao grupo familiar não conseguir suportar as despesas têm que desistir...SÓ para lembrar os nosso
"
Maria Miranda (77 gostos)
"Que texto tão poético........
O tarek quer vir para Portugal.......
Quer ser doutor.........
Que bonito![]()
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"
Francisco Madeira (30 gostos)
"Ele a perguntar, Logo eu."
António Mendes Mendes
"Problema dele, nos brasileiros já temos problemas demais pra nós preocupar com problemas de estrangeiros
"
Derivan Reis
"Fique onde está. Não precisamos dessa gente no nosso País."
Graça Gersão
"Que vá para Israel é só atravessar a fronteira."
Elisabete Sério
" E eu não sei se vou ter dinheiro para a minha filha acabar os seus estudos. Será que isso também pode ser notícia. Que nojo.....![]()
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"
Lipa Resende (Luís Resende)
"Outra vez arroz?
Luísa Sobral
E termino assim (porque não consigo ler mais nenhum), com este último comentário de uma senhora enfermeira.
Imagem: Al-Rifi/ Reuters
Como animal somos uma espécie surpreendente, os anos passam e nada fica. Para que servem agora as palavras? Vivemos, outra vez, tempos de mentiras atrozes, com grandes líderes mesquinhos e mentirosos e pessoas - imensas - que gostam de acreditar neles.
Assiste-se à banalização de assassínios impostos pela fome, não importa se são crianças ou não, não importam as imagens, porque poucas são capas de jornais/revistas ou abertura de telejornais.
Há uma futilidade generalizada e global, que chama a atenção para a corrida às visualizações e à estupidez, é mais visto e opinado como sendo um horror um homem e uma mulher, casados e amantes (a exemplo disso a corriqueira imagem dos que foram ver os Coldplay), do que guerras e injustiças sociais, desrespeito pelo meio ambiente e outros assuntos que poderiam levar a um mundo melhor. E grave é o facto de as redes sociais fecharem a partilha do que se passa nestas situações e darem voz aos escandalizados com traições domésticas levando até ao achincalhamento desmesurado dos visados e à demissão nos seus empregos. Estamos assistindo ao crescimento de uma estupidificação que encalha a evolução.
Se por um lado há que diga à boca cheia que tudo tem um propósito, esquecendo-se que existe a escolha, e que poderá haver várias formas de fazer o mesmo, por outro lado a guerra também é uma empresa que precisa de ser alimentada, gerida e de ter estratégia, e a do momento é matar à fome a maior quantidade de pessoas, e aumentar o ódio para criar mais terroristas para explicar o resto.
Este local não é
Próprio para plantar.
Aqui a terra é
Dura, seca, irritante –
Agulhas de folhas mortas
Arranham.
Fecho os olhos, o pó
Sufoca-me a garganta,
Nunca pensei que a terra
Pudesse ser tão pesada,
Talvez se eu
Levantar um braço
Alguém venha atravessar
Um dia a minha sepultura e,
Como nas noites dos filmes de terror,
Veja uma mão sem vida, uma palma aberta.
Dedos meio enrolados...
E grite.
Eu não morri nesse dia –
Outra coisa sucedeu
E ainda permanece
Na sepultura pútrida
Fermentando o conhecimento das trevas.
Poema de Hanan Ashrawi