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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Mentira

03
Jun21

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Ilustração  Narjes Mohammadi

Não lido nada bem com a mentira, e o que mais se vê e se ouve neste nosso quotidiano são mentiras, mente-se  à descarada e com um à vontade perante os outros como se fosse um bom exemplo. No entanto, sendo a mentira coisa de pouca dura são exemplos vagos que nos indicam que estamos a ir num caminho sem saída. Tal como na perda de confiança há a sensação que algo foi quebrado e jamais será reposto. Ora uma sociedade que se está a afundar em mentiras  aonde nos levará? Que futuro desejamos? 

Desejamos assim tanto o sucesso a todo o custo que nada mais interessa? A nossa incapacidade cada vez mais crescente em discernir a verdade da mentira está a levar-nos a uma vida salobra.  

Ainda

04
Dez20

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Ilustração  Rolf Armstrong 

 
 
Ainda
Tenho flores por colher
O céu por alcançar
Caminhos por percorrer
 
 
Ainda
Tenho mágoas por curar
Noites por descobrir
Lágrimas por cristalizar
 
Ainda
Tenho desejo e arrepio
Sonhos a esvoaçar
E sou nascente e rio
 
Ainda
Tenho o tempo por iludir
O sol por tocar, o arco-íris
A chuva e o vento por abraçar.
 
Ainda
Não sei como suster o tempo
E tenho tantas flores
Por semear!
 
 
Poema de Alice Queiroz
 
 
 

Mudanças em tempos de COVID

Na cozinha

21
Set20

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Ilustração  Paul Garland

 

Neste ano de verdadeiras mudanças para mim, tenho-me aventurado na cozinha e em fazer pratos diferentes. Tenho estado  a apostar em comer mais legumes frescos e locais e a misturá-los duma forma aventureira. Tenho experimentado alguns dos quais duvidava gostar. E é interessante verificar que o que a minha mente tinha rotulado não corresponde à verdade. 

 

"Mude, mas comece devagar.

Porque a direção é mais importante, que a velocidade.

Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.

Mais tarde, mude de mesa.

Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.

Depois, mude de caminho, ande por outras ruas,

calmamente, observando, com atenção, os lugares por onde você passa.

Tome outro ônibus. Mude por uns tempos o estilo de roupas.

Dê os seus sapatos velhos, procure andar descalço alguns dias.

Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia ou no parque

e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.

Abra e feche gavetas e portas com a mão esquerda.

Durma no outro lado da cama. Depois, procure dormir em outras camas.

Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.

Corrija a postura. Coma um pouco menos. Escolha comidas diferentes.

Novos temperos, novas cores, novas delícias.

Almoce em outros locais, compre pão em outra padaria.

Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.

Escolha outro mercado…Outra marca de sabonete, outro creme dental…

Tome banho em novos horários.

Use canetas de outras cores, vá passear em outros lugares,

ame muito, cada vez mais.

Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as, seja criativo.

E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,

longa, se possível sem destino.

Experimente coisas novas, troque novamente,

Mude, de novo. Experimente outra vez.

Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores

do que as já conhecidas, mas não é isso que importa.

O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia.

Só o que está morto não muda".

 

Poema de Edson Marques

 

 

"Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena!"

Clarice Lispector