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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Borago

04
Mai21

azul.jpg

Hoje trago  outra obra de arte na natureza, a borragem, de um azul céu, que faz lembrar os dias longos de Verão em que a preguiça reina e convida à reflexão. Parece que se envergonha, deixando as suas flores a olhar o chão. Cachos azuis que sobressaem nos vários verdes que lhe rodeiam. Comestiveis, e com diversas propriedades dignas das mais finas flores.  

 

 

Janela sem vidro

29
Abr21
 
Tenho quarenta janelas,
nas paredes do meu quarto,
sem vidros nem bambinelas,
posso ver através delas,
o mundo em que me reparto.

Por uma entra a luz do sol,
por outra a luz do luar,
por outra a luz das estrelas,
que andam no céu a rolar.

Por esta entra a Via L√°ctea,
como um vapor de algod√£o,
por aquela a luz dos homens,
pela outra a escurid√£o.

Pela maior entra o espanto,
pela menor a certeza,
pela da frente a beleza,
que inunda de canto a canto.

Pela quadrada entra a esperança,
de quatro lados iguais,
quatro arestas, quatro vértices,
quatro pontos cardeais.

Pela redonda entra o sonho,
que as vigias s√£o redondas,
e o sonho afaga e embala,
à semelhança das ondas.

Por além entra a tristeza,
por aquela entra a saudade,
e o desejo, e a humildade,
e o silêncio, e a surpresa.

E o amor dos homens, e o tédio,
e o medo, e a melancolia,
e essa fome sem remédio,
a que se chama poesia.

E a inocência, e a bondade,
e a dor própria, e a dor alheia,
e a paix√£o que se incendeia,
e a viuvez, e a piedade.

E o grande p√°ssaro branco,
e o grande p√°ssaro negro,
que se olham obliquamente,
arrepiados de medo.

Todos os risos e choros,
todas as fomes e sedes,
tudo alonga a sua sombra,
nas minhas quatro paredes.

Oh janelas do meu quarto,
que vos pudesse rasgar,
com tanta janela aberta,
falta-me a luz e o ar.
 
Poema de António Gedeão

 

Alfazema da Arr√°bida

26
Abr21

alfazema.jpg

Da tua vida o que n√£o podem entender
Nem oiro nem poder nem segurança
Mas a paix√£o do Tempo e de seus riscos
Tu buscaste o instante e a intensidade
E foste do combate e da mudança
Por isso um rastro de ruptura e de viagem
Ou talvez este fogo inconquistado
Como breve eternidade
De passagem

 

Poema de Manuel Alegre