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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Dia do Elefante

12.08.21, Alice Alfazema
Fotografia Daisy Gilardini   Um grupo de homens cegos ouviu que um animal estranho, chamado de elefante, havia sido trazido para a cidade, mas nenhum deles conhecia sua forma. Então eles disseram: “Podemos conhecê-lo pelo toque, pois disso somos muito capazes.” Quando eles encontraram o elefante, começaram a tatear e discutir entre si. Cada homem tocou numa parte e, confiante de sua habilidade, discordava dos demais. Eles não percebiam que estavam tateando um animal enorme.  O (...)

Passagem

17.12.20, Alice Alfazema
Ilustração Andrea Calisi   Ao longo do tempo vamos tento de enfrentar várias passagens, umas são tão subtis que nem damos por elas, tal como a passagem dos minutos e dos dias, que tantas vezes nos parecem iguais, apesar disso somos obrigados a fazê-las, pensamos muitas vezes que só fazemos o que bem nos apetece, que seguimos por onde queremos, no entanto a passagem do vazio é assustadora para alguns, como se houvesse uma obrigação de explicação ou de um ritual, entretanto (...)

Pescar

16.12.20, Alice Alfazema
  Escrever um poema é como apanhar um peixe com as mãos nunca pesquei assim um peixe mas posso falar assim sei que nem tudo o que vem às mãos é peixe o peixe debate-se tenta escapar-se escapa-se eu persisto luto corpo a corpo com o peixe ou morremos os dois ou nos salvamos os dois tenho de estar atenta tenho medo de não chegar ao fim é uma questão de vida ou de morte quando chego ao fim descubro que precisei de apanhar o peixe para me livrar do peixe livro-me do peixe com o alívio (...)

Lagos

12.12.20, Alice Alfazema
Ilustração Adrian Sykes   Há pessoas que são como lagos, sem margens, presas na mesma paisagem, no entanto acham-se mar, no fundo o lodo dá-nos a diferença, acrescente-se  a falta de maresia.      Contemplo o lago mudo Que uma brisa estremece. Não sei se penso em tudo Ou se tudo me esquece.   O lago nada me diz. Não sinto a brisa mexê-lo. Não sei se sou feliz Nem se desejo sê-lo.   Trémulos vincos risonhos Na água adormecida. Por que fiz eu dos sonhos A minha única vida? (...)

De quem são as palavras?

02.12.20, Alice Alfazema
  "Nós somos tempo. Compreender aquilo que nós somos é compreender o tempo que nós somos, aquilo que o tempo exterior, o tempo da história, o tempo da sociedade é em nós. Não se faz essa aprendizagem sem que ela seja uma metamorfose permanente daquilo que nós somos."   Ilustração Adam Niklewicz   "Somos hóspedes do instante, cada um de nós. Mas sempre com o sentimento de que cada esse instante não é diferente do que chamamos de eternidade, a eternidade como uma (...)