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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Nova etapa

08.09.19, Alice Alfazema
É um dia cheio de praia, água boa, sabor a sal, pele tostada pelo sol, areia a perder de vista, calor e mar, risos na toalha, água e bolachas, pranchas e barriga esfolada.        É um dia onde me revejo, e olho de forma a acomodar memórias, os três na água como há muito tempo e eu na toalha, o tempo passou, mas o essencial ficou. A vida trás a vida leva, tal como o mar. Vão-se uns e ficam outros. Começa-se e acaba-se. Vejo-me então na primeira linha, o que guardo já (...)

Conversas da escola - O quarto filho

03.11.18, Alice Alfazema
Rapaz já grandote:   - Hoje a fila está muito lenta, não há despacho... - Temos falta de pessoal. - A minha mãe é que devia de vir para aqui. - Então ela que venha. - Mas ela já trabalha. - E faz o quê? - Trabalha numa loja, ela já não tem paciência para aturar miúdos. - Pois... - Com três filhos... - Eh lá! - Tem de aturar três filhos e o meu pai!

Conversas da escola - Ó mãe acorda para a vida!

06.12.16, Alice Alfazema
Conversa com um miúdo de doze anos:   - Então fazes tu o teu lanche. - Não posso, porque posso cortar-me. - Pegas numa faca, daquelas de cortares o bife... - Lá em casa só os meus pais é que têm talheres de metal, os meus são de plástico. - Tens de dizer à tua mãe - ó mãe acorda para vida, eu já não tenho três anos, daqui a nada está a crescer-me o bigode...     Alice Alfazema

O querido

05.10.16, Alice Alfazema
    A miúda aflita telefonou ao pai: - Pai, ele mordeu-me a pe... - e desata a chorar. O pai preocupado, atarefado no dia de trabalho e tentando perceber o alcance da mordedura pergunta-lhe: - E fez sangue na perna? - Ó pai! Não é a perna - e chora, baba e ranho, e ranho e baba - é a pen, a minha pen, tenho três anos da minha vida ali dentro. Pa (...)

No piano da minha sala

29.03.16, Alice Alfazema
    Os dias às vezes são como as teclas dos pianos, produzem diversos sons, graves, agudos, desafinados, lindos, feios. À que saber tocar, ou ficar em silêncio? É engraçado ouvir como se formam os sons, como se interligam, como se desfazem uns nos outros.  A criatividade que se ouve, que se sente, aquilo que somos capazes de recordar, o que (...)

Dia do Pai

19.03.16, Alice Alfazema
Ilustração  Michael Emberly       As tuas mãos têm grossas veias como cordas azuis sobre um fundo de manchas já cor de terra — como são belas as tuas mãos — pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram na nobre cólera dos justos... Porque há nas tuas mãos, meu velho pai, essa beleza que se chama simplesmente vida. E, ao entardecer, quando elas repousam nos braços da tua cadeira predileta, uma luz parece vir de dentro delas... Virá dessa chama que pouco a (...)