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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Há pessoas que não sabem (que podem), ser felizes?!

15
Set25

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O que a sociedade nos ensina, é que temos de sofrer para merecermos, quer seja ser feliz, ter um amor, um trabalho, qualquer coisa por assim dizer. Vemos em filmes e afins que as coisas boas só aparecem depois do sofrimento, todas as que enumerei e mais as que houverem. Há em todas as religiões um grande espaço reservado ao sofrimento humano. O sofrimento é tão valorizado que poderá haver um sentido de culpa ou descrédito por nos sentirmos felizes.

E se o amor for mesmo feliz sem haver necessidade de sofrer para que isso aconteça? E se as pessoas nos acolherem bem, sem quererem mais nada em troca? E se a pressão for apenas uma ilusão criada pelo cérebro alimentado pela ilusão das cenas dos outros? 

Há pessoas que têm medo de serem felizes. Será por a felicidade ser demasiado arrebatadora? Ou será pela opinião de terceiros desiludidos com as suas próprias vidas? 

A janela da oportunidade da felicidade é demasiado pequenininha para deixar de espreitar por ela.

A felicidade está reservada aos audazes, aos que se predispõem a quebrar ciclos, situações que viveram ou que foram obrigados a isso. É ser capaz de aceitar a mão e de dá-la. 

A felicidade e o amor não é o um carma, mas o darma.

Daqui até ao Natal - 3

21
Ago24

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A arte de fazer o outro feliz é menos exigente do que a arte de ser-se feliz. Há pessoas que têm medo de serem felizes, quantas vezes já ouvimos: é sol de pouca dura; está tudo a correr tão bem que até tenho medo... talvez por a felicidade ser de curta duração, e depois? Então não se aproveita um momento bom porque a seguir vem um mau? 

Esta descrença profunda pelo quotidiano, a não aceitação das nossas emoções e daquilo que somos capazes de fazer para ultrapassar cada problema é como uma peçonha que cola como a própria sombra em dia de sol. 

Daquilo que eu tenho saudades, é de ouvir risos, conversas alegres...quando venho no comboio raramente se ouvem vozes, muito menos risos, é um silêncio embutido em chumbo, por todo o lado o foco é o telemóvel e os fones nos ouvidos, pescoços curvados como gente muito velha, alheamento total pela paisagem que passa ao longo de cada janela. Vive-se dentro de um ecrã. Ali se partilham todas as emoções, de modo escrito, em fotografia, e por último em áudio (tenho visto muito, coloca-se o telemóvel rente aos lábios e a coisa dá-se), pode parecer uma conversa, mas na realidade não é, é antes um monologo à espera de resposta. 

Da janela o céu passa azul velozmente entre as árvores paradas.

💋

16
Nov19

 

às vezes basta
uma palavra
uma flor ou apenas uma pétala
um sorriso
o voo rasante das gaivotas
não sentir e não me importar
uma colher de arroz-doce, mas com a parte da canela
o cheiro a mar
uma pinta na folha
o frio da pedra e o quente de uma respiração
o fumegar do café
importar-me com o teu sentir
o lápis de cor amarela, para pintar o sol
aqueles teus fios de música que fazem estremecer
uma impressão, mesmo que vaga, de felicidade
o ondulado negro
a lembrança sempre presente de ti

para a vida prosseguir

 

Poema de Isabel Pires

 

#diariodagratidao 28-06-2019

28
Jun19

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Ilustração Isabelle Bryer

 

Gosto quando alguém partilha comigo a sua felicidade, é para mim um grande sinal de confiança, de amizade, de companheirismo e de amor. Partilhar as maleitas é fácil, são queixas, é despejar o lixo que há em nós. Partilhar alegria é outro estado de alma, que apenas pertence aos seres superiores e aos audazes.