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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Um templo a céu aberto

25.06.21, Alice Alfazema
Ilustração Tomasz Alen Kopera Sempre me questionei se os pássaros cantavam para as árvores e se elas se deliciavam com o seu canto e se poderiam bater palmas ao sabor do vento, sem ninguém dar por isso. Tenho observado como os gaios confraternizam e se abrigam debaixo da folhagem verde e robusta da grande árvore existente defronte da minha janela. Ao final do dia, quando o sol se acalma e nos diz adeus as sombras da noite começam a invadir o horizonte, pelo meio do arvoredo da (...)

Viver livres

14.06.21, Alice Alfazema
Há momentos em que me sinto livre, são momentos fugazes em que o meu cérebro me leva aonde fisicamente é impossível estar neste tempo agrilhoado na situação pandémica.    Um dia, gastos, voltaremosA viver livres como os animaisE mesmo tão cansados floriremosIrmãos vivos do mar e dos pinhais..O vento levará os mil cansaçosDos gestos agitados irreaisE há de voltar aos nossos membros lassosA leve rapidez dos animais..Só então poderemos caminharAtravés do mistério que se embala (...)

Em cima de uma tábua

11.05.21, Alice Alfazema
Ilustração Prakashan Puthur Durante muito tempo, o meu lugar de eleição para momentos de reflexão foi em cima de uma tábua debaixo de uma árvore. Numa tábua amarrada a um tronco resistente, um espaço finito, mas onde me sentava e começava a voar. A cada balanço sentia o impacto que era dado na árvore, por vezes o estalido da madeira traçava o ar. E aí sentia que a árvore me embalava no colo. 

A vida passa lá fora

09.05.21, Alice Alfazema
A vida passa lá fora, como se nada fosse, e sinto que o meu tempo foi-me roubado nestes últimos meses, o que não fiz e queria muito fazer, se a minha vida acabasse agora estaria incompleta, provavelmente ficará sempre incompleta, mas quero que seja o mais preenchida na medida do possível. Quando somos jovens pensamos que temos todo o tempo do mundo, depois o tempo transforma-se num túnel, cada dia mais afunilado, e aí cada dia passa a valer muito mais que as vinte e quatro horas (...)

Os mais antigos

18.04.21, Alice Alfazema
  Hoje, fui comprar legumes e peixe fresco, aquilo ali é o meu templo, onde as cores da criação se acumulam nas bancadas dos produtores locais, dando um ar multicultural à "Praça" - em Setúbal o mercado municipal  é chamado de praça pelos mais antigos, e assim de repente lembrei-me, que as pessoas idosas em Setúbal eram chamadas de "mais antigos", porque não é velho de deitar fora, nem idoso de limitado, mas antigo de nobre, que pode ser valorizado - vi então nas (...)