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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Caminhadas

P.N.A.

19
Fev22

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Por estradas de montanha
vou: os três burricos que sou.
Será que alguém me acompanha?

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Também não sei se é uma ida
ao inverso: se regresso.
Muito é o nada nesta vida.

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E, dos três, que eram eu mesmo
ora pois, morreram dois;
fiquei só, andando a esmo.

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Mortos, mas, vindo comigo
a pesar. E carregar
a ambos é o meu castigo?

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Pois a estrada por onde eu ia
findou. Agora, onde estou?

Já cheguei, e não sabia?

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Três vêzes terei chegado
eu – o só, que não morreu
e um morto eu de cada lado.

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Sendo bem isso, ou então
será: morto o que vivo está.
E os vivos, que longe vão?

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Poema de Guimarães Rosa

Caminhada pelo Parque Natural da Arrábida

A vida é simples! Não compliques.

06
Fev22

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Hoje fomos caminhar, um passeio simples, devagar e sem grandes pressas, um banho de mar para quem quis, para os outros uma espreguiçadela na areia. O calor do sol no rosto, a sensação do sangue ferver, lembrando-nos que todo o aparelho está em sintonia, alguma flores pelo caminho, hei-de colocar aqui as fotografias, o céu de cetim e o mar cheio de brilhos, nunca me canso de ver, é sempre novo para mim, uma e outra vez, a mesma sensação de novidade. 

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Esta visão contemporânea de que  necessitamos de uma constante novidade todos os dias desgasta-nos, é impossível adaptarmo-nos dia a dia a algo novo,  sem que isso traga consequências, esta pressa que nos é imposta não é própria de nossa natureza,  contudo o que é sentido como novidade não é nada disso, os significados são os mesmos, apenas as palavras são outras, visto de fora são linguagens de época, é conhecido que as vidas  incríveis repetem-se experimentando as mesmas velhas emoções, não há nada de novo nas emoções que nos movem, continuam a catalisar os nossos dias ao longo de milénios, aquilo que provem da pensada novidade é só o modo de como se agrupam ao longo do tempo, ou seja uma vezes mais viradas para o amor, outras para a empatia, noutras a vingança e o ódio.

 

Tricotar

10
Nov21

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Ilustração   William Kay Blacklock  

Voltei às agulhas, é um exercício pelo qual tenho muito apreço, é para mim comparável à escrita, leva-me para outro patamar emocional, descontrai-me profundamente cruzar as linhas, e conseguir uma após outra, tal como passo a passo chegar ao final do caminho. É algo que podemos fazer na companhia de outras pessoas, mas que exige de nós uma solidão mental, que leva a silêncio consciente que apazigua o cérebro.