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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Mudanças em tempos de COVID

Na cozinha

21.09.20, Alice Alfazema
Ilustração  Paul Garland   Neste ano de verdadeiras mudanças para mim, tenho-me aventurado na cozinha e em fazer pratos diferentes. Tenho estado  a apostar em comer mais legumes frescos e locais e a misturá-los duma forma aventureira. Tenho experimentado alguns dos quais duvidava gostar. E é interessante verificar que o que a minha mente tinha rotulado não corresponde à verdade.    "Mude, mas comece devagar. Porque a direção é mais importante, que a velocidade. Sente-se em (...)

It's My Life

15.09.20, Alice Alfazema
Como uma velha música pode nos transportar para o tempo em que pensávamos que havia limites para tudo. Limites sociais, de género, profissionais, físicos, emocionais, de dor, de felicidade. Nesta minha vida, vivi tantas vidas. E em cada uma delas aprendi que não faz sentido separá-las, é no seu conjunto que encontro agora esta minha vida. E esta é agora a minha vida, a que não quero desperdiçar com dias em que não aprenda algo de novo. Nem quero que a idade seja um (...)

O rio é um tesouro

09.09.20, Alice Alfazema
  A menina chegou perto do Rio e viu que ele parecia um tesouro. A luz do Sol fazia brilhar a água tal como brilham as pedras preciosas. E disse em voz alta: - O Rio parece um tesouro! E a gaivota que por ali andava ouviu-a e disse numa voz estridente de gaivota dos mares: - É verdade, o Rio é um tesouro escondido à vista de toda a gente! A menina assustou-se com aquela voz, e levou algum tempo a perceber quem tinha falado. Depois ficou admirada, porque as gaivotas não falam, mas a (...)

Inveja

25.07.20, Alice Alfazema
Ilustração Amy Grimes   Eu tenho sempre inveja das gaivotas que fazem voos rasantes às ondas e refrescam as suas penas naquela água espumosa. Não é inveja boa nem inveja má. É inveja pura! Eu queria poder fazer aquilo e divertir-me como elas. E poder ficar a boiar nas correntes marinhas até me apetecer, sem relógio, sem hora para dormir nem acordar. Chegar e partir sem bagagem. Desapego total.  

Descanso

04.07.20, Alice Alfazema
Ilustração Alice Caldarella   Apesar do descanso dos dias sinto-me cansada, exausta de pensar, pensar que não quero a vida que tinha, não quero aquela azáfama desvairada e já sem retorno. Finalmente dei-me conta do quanto estava cansada, e da minha insistência em não descansar. Um outro eu espreita e toma conta do meu cérebro, um eu mais egoísta, mais exigente, menos compreensivo com as desculpas. Esta mudança de pele é complexa, ouvi dizer que as cobras ficam mais (...)