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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Tal cão

tal dona

18.10.21, Alice Alfazema
Dizem que os cães são idênticos aos donos, é verdade, confirmo. Ora assim, o meu cão não suporta muito calor, eu também não. Nem gosta de frio, eu também. Não gosta de muitas festas, eu igualmente. Adora retirar-se para dormir uma sesta, eu idem. Não tem dono favorito, para ele todos tem um propósito: euzinha. Está-se marimbando para a sua reputação social, mais eu. Gosta mais de peixe que de carne, é genético.  Um outro ponto muito importante e decisivo para que se diga t (...)

Debaixo do sol

28.09.21, Alice Alfazema
  Tenho em  mim o cheiro dos dias de nevoeiro na praia, do cheiro da areia molhada, da maresia escondida. Recordo que quando o sol ultrapassa a nebulosidade, e os seus raios se encontram com a areia, o cheiro intensifica-se até o calor se instalar por completo, depois acabou, começa então o sabor a sal no ar. Os olhos habituam-se ao intenso clarear, à descoberta daquilo que havia estado escondido. No  bote o homem sabe ao que vai, regressa da calada da noite, trazendo a madrugada (...)

Um templo a céu aberto

25.06.21, Alice Alfazema
Ilustração Tomasz Alen Kopera Sempre me questionei se os pássaros cantavam para as árvores e se elas se deliciavam com o seu canto e se poderiam bater palmas ao sabor do vento, sem ninguém dar por isso. Tenho observado como os gaios confraternizam e se abrigam debaixo da folhagem verde e robusta da grande árvore existente defronte da minha janela. Ao final do dia, quando o sol se acalma e nos diz adeus as sombras da noite começam a invadir o horizonte, pelo meio do arvoredo da (...)

Viver livres

14.06.21, Alice Alfazema
Há momentos em que me sinto livre, são momentos fugazes em que o meu cérebro me leva aonde fisicamente é impossível estar neste tempo agrilhoado na situação pandémica.    Um dia, gastos, voltaremosA viver livres como os animaisE mesmo tão cansados floriremosIrmãos vivos do mar e dos pinhais..O vento levará os mil cansaçosDos gestos agitados irreaisE há de voltar aos nossos membros lassosA leve rapidez dos animais..Só então poderemos caminharAtravés do mistério que se embala (...)

Em cima de uma tábua

11.05.21, Alice Alfazema
Ilustração Prakashan Puthur Durante muito tempo, o meu lugar de eleição para momentos de reflexão foi em cima de uma tábua debaixo de uma árvore. Numa tábua amarrada a um tronco resistente, um espaço finito, mas onde me sentava e começava a voar. A cada balanço sentia o impacto que era dado na árvore, por vezes o estalido da madeira traçava o ar. E aí sentia que a árvore me embalava no colo.