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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Conversas da escola - Metade

07.11.19, Alice Alfazema
- Quero um pão partido a meio para levar.  - Para que queres o pão partido a meio? - É para levar metade e comer a outra agora. - Então eu vou-te ensinar a partir o pão a meio, pões o pão no saco, comes metade e deixas a outra metade para comeres depois. 

Antes,agora,depois...

12.10.19, Alice Alfazema
  Ilustração Liese Chavez   Durante um tempo fui especialista em fazer, mal-me-quer/bem-me-quer, fazia-o com as flores da camomila, quando queria saber de alguma coisa, apanhava uma e zás, depois deixei de ter interesse, porque já conhecia de cor o resultado, percebi que tudo se resume a sequências, por vezes à excepção, mas na realidade a verdade depende das nossas escolhas e do nosso esforço.    As nossas escolhas, num determinado tempo não dependem de nós, no entanto a (...)

Ondas

10.10.19, Alice Alfazema
  Ilustração Liese Chavez   Das coisas que nunca abdicarei na minha vida: liberdade de pensamento e opinião, das minhas convicções e da minha integridade.   Não me interessa que me chamem de rabugenta. Não quero ser uma praia, quero ser mar.      

Entrelaço

09.10.19, Alice Alfazema
  Ilustração Alexi Torres   Entrelaço os anos, os dias e as noites, as horas e os minutos, os choros e os risos, entrelaço agora a juventude e a velhice, o amor, a paciência e o silêncio, entrelaço os meus dedos nos teus, como raízes em busca de água. 

Hoje apetece-me contar uma estória

28.09.19, Alice Alfazema
Era eu uma miúda e atravessava o Sado numa traineira, ao final do dia o cheiro do gasóleo entranhava-se nas minhas narinas, era também um cheiro de oceano, serra e rio, isto tudo misturado como resumo do dia, para mim estes cheiros funcionam como marcadores de memória.   Atravessava então o rio azul e manso, onde podia ver as várias correntes que entravam e saíam do oceano, na cabine e ao leme alguém levava o barco que trepidava a meus pés, era uma sensação relaxante, (...)

Boas-vindas

21.09.19, Alice Alfazema
  Ilustração Margherita Magy Grasso   Foi de noite, nem sei que horas eram, acordei, senti bater na janela, devagar, devagarinho, fiquei à escuta, ouvi mais, agora na estrada, pingos grossos de chuva, fiquei a ouvir, como quem recebe uma visita à muito esperada, saudades.  Transportei-me então para o lado de fora - não preciso do corpo para fazer isso - a erva seca agradecia o banho vindo do céu, imaginei os corvos, as rolas, as corujas, os falcões, os pardais...nos ninhos a (...)

Nova etapa

08.09.19, Alice Alfazema
É um dia cheio de praia, água boa, sabor a sal, pele tostada pelo sol, areia a perder de vista, calor e mar, risos na toalha, água e bolachas, pranchas e barriga esfolada.        É um dia onde me revejo, e olho de forma a acomodar memórias, os três na água como há muito tempo e eu na toalha, o tempo passou, mas o essencial ficou. A vida trás a vida leva, tal como o mar. Vão-se uns e ficam outros. Começa-se e acaba-se. Vejo-me então na primeira linha, o que guardo já (...)