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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

💋

08.11.19, Alice Alfazema
  Somos um monte de retalhos, cosidos ao acaso, coisas do dia, da vida, da loucura. Somos tristes acompanhados, somos alegres sozinhos. Somos o que os outros não sabem. Temos medo e audácia dentro de nós. Mas há quem saiba nas entrelinhas esconder os recantos do sonho para que ele desperte num dia de necessidade.   Mal nos conhecemos Inaugurámos a palavra «amigo». «Amigo» é um sorriso De boca em boca, Um olhar bem limpo, Uma casa, mesmo modesta, que se oferece, Um coração (...)

Liberdade

02.11.19, Alice Alfazema
Ilustração Scott Kahn    Escrevo este texto no dia 20 de Outubro de 2019, é Domingo e está sol, ontem foi um dia de chuva intensa. Hoje o dia amanheceu luminoso, manso e fresco, levantei-me e tomei o pequeno-almoço em casa, nada de especial, pão com queijo-fresco de ovelha e um sumo de frutos vermelhos. Fomos depois beber um café à beira-rio.   Estou agora em frente ao rio, num sítio tranquilo e cheio de árvores, sento-me enquanto bebo o meu café, à minha frente o rio (...)

Micro contos - A procura

21.07.19, Alice Alfazema
  Ilustração Marly Gallardo   Que procuras tu quando te escondes na praia? Debaixo de um chapéu de sol, enquanto enterras os teus pés para sentires a areia fresca que está por baixo da escaldante. Levas contigo os teus pensamentos para todo o lado, mesmo que te vistas de modo diferente e a paisagem seja outra daquela que estás habituada. Mudas-te de cor de cabelo, e fizeste umas unhas coloridas, mas nada mudou. O que (...)

Escrever

14.06.19, Alice Alfazema
  Ilustração Linda Jacobus   Para dizer que se gosta de escrever não basta relatar uma conversa, descrever um sítio ou um estado de alma. Escrever é muito mais que isso, é por nas frases pedaços de nós, sensações e cheiros, é conseguir que os outros percebam através das nossas palavras o que vemos sem os olhos.    Nem é preciso um texto longo, ou uma frase elaborada, é antes como uma pintura simples, são (...)

#diariodagratidao 23-04-2019

23.04.19, Alice Alfazema
  Ilustração  Mar Azabal   Se eu pudesse havia de transformar as palavras em clava. Havia de escrever rijamente. Cada palavra seca, irressonante, sem música. Como um gesto, uma pancada brusca e sóbria. Para quê todo este artifício da composição sintáctica e métrica? Para quê o arredondado linguístico? Gostava de atirar palavras. Rápidas, secas e bárbaras, pedradas! Sentidos próprios em tudo. Amo? Amo ou não amo. Vejo, admiro, desejo? Ou sim ou não. E como isto continuando.  

O rapaz dos três corações

13.02.19, Alice Alfazema
Era uma vez um rapaz que tinha três corações. Um do lado esquerdo, outro do lado direito, e o terceiro nas costas. No do lado esquerdo guardava as emoções que tinha sentido no passado,  num canto ficava a sua infância no campo e na praia, e no outro as aprendizagens  que tinha feito enquanto brincava com os amigos. No coração do lado direito, tinha arrumadas todas as peripécias do quotidiano diário enquanto adulto, alguns males de amor, um sonho escondido e preocupações com (...)

Circular

03.09.18, Alice Alfazema
  Ilustrações de  Roman Muradov     Conheci um homem que possuía uma cabeça de vidro. Víamos - pelo lado menos sombrio do pensamento - todo o sistema planetário. Víamos o tremelicar da luz nas veias e o lodo das emoções na ponta dos dedos. O latejar do tempo na humidade dos lábios. E a insónia, com seus anéis de luas quebradas e espermas ressequidos. As estrelas mortas das cidades imaginadas. Os ossos (tristes) das palavras. A noite cerca a mão inteligente do homem que (...)

Pouca coisa...pouco menos que um milagre

21.08.18, Alice Alfazema
    Segunda ou Domingo, partindo de Oslo. Na cozinha exígua eu e um colega preparamos os pratos pedidos. Fritadeiras, fornos, frigoríficos verticais, chapa quente, arca de gelados, um vai-vem de palavras e gestos, os nomes dos pratos, as especificações (sem gluten, camarões extra, uma gema de ovo suplementar num bife tártaro) a decoração final, o tiquet com o número da mesa junto a cada grupo de pratos prontos. Velocidade estonteante nos dias mais atarefados. Lá fora, os (...)