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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Jardim

Desafio de A a Z

06.05.20, Alice Alfazema
Sentei-me debaixo do jacarandá, e pressionei as minhas costas contra o tronco até sentir os seus nódulos, olhei para cima e vi uma copa violeta de flores, num aglomerado alegre que contrastava com o azul do céu e as pequenas nuvens brancas que eram empurradas pelo vento. Aspirei o perfume, para que pusesse em mim aquela vibração. A casa estava pintada de branco, e as janelas abertas, o João e a Joana discutiam como de costume, nos canteiros estavam cravos vermelhos que dançavam com (...)

Diário dos meus pensamentos (47)

05.05.20, Alice Alfazema
Ilustração  Dani Torrent   Cada pessoa tem o seu mapa imaginário, os nossos pensamentos são formas de comunicarmos, e através deles passamos sensações aos outros, pode ser um olhar, um sorriso, o tom da nossa voz,  as nossas atitudes corporais. Os nossos pensamentos afectam os nossos músculos, se pensarmos em algo bom podemos nos descontrair, se pensarmos em algo mau é possível que tenhamos tensão e irritabilidade. Se pensarmos constantemente no mesmo que tamanho terá o (...)

Diário dos meus pensamentos (33)

21.04.20, Alice Alfazema
Ilustração Alireza Darvish   Se cada pessoa escrevesse um livro sobre a vivência desta época da quarentena, haveria muitos que seriam acusados de plágio, ora porque tinham pensamentos e sentimentos iguais, ora porque escreveram com as mesmas palavras, será que há palavras suficientes para descrever estes momentos vividos em casa sem que haja repetições? E os professores dirão: descreve isso por palavras tuas. E se as dele forem também as dos outros? Não são válidas? Não, (...)

Luxo

Liberdade

18.03.20, Alice Alfazema
    Ilustração Scott Kahn   Hoje, a partir da meia-noite entramos no estado de emergência nacional, neste momento são 22h e as pessoas estão à janela a bater palmas em sinal de reconhecimento por todas as pessoas que estão a lutar na linha da frente desta pandemia, as palmas fazem eco pela rua toda, no entanto parece haver um silêncio a separar-nos, tal como uma bolha invisível, é o medo, no andar de baixo o miúdo que tem três anos canta músicas de Natal intercaladas com a (...)

À espera

16.03.20, Alice Alfazema
  Ilustração Celene Petrulak   Há uma tempestade acima de nós, no entanto o sol continua a brilhar. Levamos então as nuvens brancas e fofas ao colo, são sonhos macios e leves. Cuidado! Cuidado! Muito cuidado. O vento sopra com força. Embalemos devagar o dia-a-dia. O silêncio é agora estranho, tal como o silêncio antes de um relâmpago. Surdo, opaco e denso. As ruas estão vazias, como nas tempestades raivosas, onde todos se abrigam à espera da bonança.