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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

De olhos fechados

30.11.20, Alice Alfazema
Ilustração Albert Henry Collins   De olhos fechados olho o espelho, vejo muito mais do que a imagem reflecte. Esse alcance pertence-me. Aparentemente ninguém à minha volta dá por isso. A imagem mental que vejo é por enquanto inatingível, em breve ela ficará reflectida no espelho.       

Caminhos

Trás-os-Montes

26.10.20, Alice Alfazema
Fotografia de Pedro Rego   Precisamos de mais caminhos assim. De muitos caminhos como este. Eu gostava de ter um caminho destes só para mim. Onde eu pudesse andar sem encontrar ninguém, ouvir apenas as vozes dos pássaros, o murmulhar da água escondida entre as rochas, e o silêncio de entre os ramos. Imagino-me assim a caminhar em direcção a um outro tempo, a cada passo dado, uma maior proximidade em alcançar o (...)

A última página

19.07.20, Alice Alfazema
Ilustração Irene Blasco   Sentei-me e quando me levantei era outra. Li e quando acabei de ler as minhas ideias ficaram mais fluidas. Sorri e aliviei a pressão do meu não sorriso. Naquele pedaço de tempo viajou por onde queria uma mulher sentada, parecia que não saía do lugar, enquanto folheava as páginas daquele livro que continha grãos de areia da sua praia favorita, nalgumas folhas haviam manchas de sal, daquele mar especial, podia ter posto um marcador de madre-pérola, mas (...)

Jardim

Desafio de A a Z

06.05.20, Alice Alfazema
Sentei-me debaixo do jacarandá, e pressionei as minhas costas contra o tronco até sentir os seus nódulos, olhei para cima e vi uma copa violeta de flores, num aglomerado alegre que contrastava com o azul do céu e as pequenas nuvens brancas que eram empurradas pelo vento. Aspirei o perfume, para que pusesse em mim aquela vibração. A casa estava pintada de branco, e as janelas abertas, o João e a Joana discutiam como de costume, nos canteiros estavam cravos vermelhos que dançavam com (...)