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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Porque há tanta gente preocupada com moda, culinária e futebol e tão pouca gente preocupada com a realidade

Maio 23, 2018

Alice Alfazema

Ilustração  Claudia Tremblay

 

 

Multipliquei-me para me sentir,

Para me sentir, precisei sentir tudo,

Transbordei, não fiz senão extravasar-me,

Despi-me entreguei-me.

E há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente.

 

 

 

 

Álvaro de Campos

Dia Mundial das Abelhas

Maio 20, 2018

Alice Alfazema

 

Fotografia Bri Curtis

 

20 de maio dia mundial das abelhas! Por outra vez, foi definido no ano passado. O dia 20 de maio foi eleito para o dia anual, pois coincide com a data do nascimento de Anton Janša, que no século XVIII foi pioneiro nas técnicas modernas de apicultura no seu país natal, a Eslovénia.

Qual é a importância das abelhas?

" as abelhas são indispensáveis para a polinização das plantas. O desaparecimento e o extermínio das abelhas estão a aumentar. O avanço da industrialização ou o uso de tóxicos são apenas algumas das razões pelas quais contamos com menos destes insetos no planeta todos os dias.

De acordo com as mais recentes estatísticas da Greenpeace, nos Estados Unidos, os desaparecimentos de abelhas chegaram a 42 % entre abril de 2014 e abril de 2015., mas porque é que as abelhas são importantes? Esses insetos, que são uma evolução das vespas, são os agentes polinizadores mais relevantes do ecossistema."a contribuição principal das abelhas sobre a face da terra é a polinização, são o agente polinizador por excelência", especificou o agrónomo. Jaime Soto ao meu porto rico verde.

A polinização é a troca de pólen entre as flores e seu principal motivo é conseguir a reprodução de qualquer tipo de semente e de frutas, processo fundamental para a manutenção da vida sobre a terra. Conforme explicou Soto, em cada 10 coisas que comemos, pelo menos cinco tiveram ação direta das abelhas em um 75 ou 80 %. Isto quer dizer que " sem abelhas não há polinização e sem polinização não há Comida ".

Tal como as abelhas, existem outros agentes polinizadores como as vespas, as borboletas e outros insectos. Além disso, entre o grupo das aves também se encontram aves que se destacam como agentes polinizadores, como os beija-Flores. Por seu lado, os mamíferos juntam-se à lista dos animais que podem transportar o pólen. São os voadores, como os morcegos, ou os roedores, como os marsupiais australianos, os que se destacam neste papel natural."

 

 

 

Texto e fotografia retirados da página  Vivero Comunitario Ciudad Universitaria - Viccu

 

Árvore Europeia do ano 2018

Fevereiro 09, 2018

Alice Alfazema

Sabiam que há um concurso para eleger a árvore europeia do ano? Eu não sabia. E como sou fascinada por árvores adorei saber. Eis aqui as árvores finalistas deste ano e as suas histórias de vida:

 
 
A Tília de folhas pequenas que tem a bonita idade de quatrocentos anos e vive na região de Bioul, Valónia, Bélgica. Reparem na figura humana ao pé deste majestoso e gigante exemplar. Tão pequenina a senhora que posa para a fotografia. Faz-me pensar, mais uma vez, que somos apenas uma insignificância neste nosso mundo.

 

 

 

A tília de Vî Payîs ("País Antigo") em Bioul, a maior tília de folhas pequenas do país, é uma das árvores mais marcantes da Valónia. Os papéis que lhe foram atribuídos, como nobreza ou marco, desapareceram ao longo do tempo. O facto desta árvore ter resistido a todos os assaltos e ameaças só pode ser entendido como um desejo coletivo de preservá-la como símbolo ou parte de memória. Continua a ser objeto de atenção e admiração pela população.

 

 ...

 

Agora a concorrente Sequóia gigante, com cento e trinta anos que vive na região de Kyustendil, na Vila de Bogoslov e que se situa na Bulgária:

 

 

 

 

3 magníficas sequóias gigantes encontram-se localizadas perto da aldeia de Bogoslov em Kyustendil. Fazem parte de uma floresta de sequóias e são um fenómeno natural. As sementes de sequóia foram trazidas pela primeira vez para a Bulgária pelo famoso silvicultor Yordan Mitrev, no final do século XIX. Estas são as sequóias mais antigas e mais altas da Bulgária. Elas têm um papel importante na história florestal. Muitas pessoas da região e do país visitam o local para abraçar as árvores e beneficiarem da sua energia.

 

 

...

 

 

De seguida apresento-vos o imponente Plátano-Oriental, tem mais de quinhentos anos de vida e mora na cidade de Dubrovnik na República da Croácia:

 

 

O plátano maciço, símbolo do Trsteno, é um monumento arquitetónico protegido. A sua beleza, tamanho e idade tornam-no uma popular atração turística. No início do século XV, a árvore ainda jovem foi trazido de Constantinopla pelo capitão Florio Jakob Antunov, que a plantou perto de uma nascente. A árvore sobreviveu a todos os possíveis conquistadores - invasores turcos, exército de Napoleão e tropas russas - graças ao clima ameno, à nascente revigorante e ao cuidado dos moradores encarregados de sua sobrevivência.

 

 ...

 

 

Eis outro forte concorrente ao titulo, a Nogueira-Preta, duzentos e trinta anos de vida e vive na região de Zlín, Kvasice, na República Checa:

 

 

Em 1790, Jan Nepomuk, Conde de Lamberg fundou um parque onde, entre outras árvores, plantou uma nogueira-preta. Leopoldina Thun, condessa de Lamberg, construíu uma capela de madeira sob a árvore, em memória de seu pai que se afogou no rio Morava. Após a abertura do parque ao público, o lugar tornou-se um destino frequente de visitas espirituais. A árvore esteve em más condições devido a inundações em 1997, quando o parque ficou submerso. Contudo, graças à intervenção de profissionais, a nogueira recuperou e continua a ser a pedra preciosa do parque.

 

 ...

 

 

De seguida deixo-vos com este magnifico Castanheiro, que tem a idade de trezentos anos e mora na Hungria em Zengövárkony, Southern.

 

 

Zengővárkony é muito conhecida pela sua floresta ancestral de castanheiros, que envolve a pequena aldeia de 400 habitantes. A castanha foi a fonte de riqueza para os habitantes locais razão do seu carinho para com as árvores. À medida que os séculos passaram, a árvore sobreviveu ao cancro do castanheiro, à nacionalização após a guerra tendo sido,inclusivamente, incendiada num inverno frio. Para os locais, o castanheiro de 300 anos de idade é o símbolo da continuidade e seu desejo de viver transmite-lhes força.
 
 
...
 
 
Ora aqui está mais um possível vencedor, o Abeto, tem cento e setenta anos de vida e mora na florestadeVilkyskiai, no município dePagegiai naLituania.
 
 

 

 
O Abeto das Bruxas tem 34 m de altura, os seus 18 troncos (um dos quais quebrado em 2007 durante uma tempestade) ramificaram-se a 80 cm, dando a aparência de cabelos bruxa emaranhados. Uma lenda diz que a vassoura da bruxa se transformou na árvore porque ela conheceu um homem local de que gostava e esqueceu-se de ir buscar a vassoura antes da meia-noite. Outra história conta que Napoleão cortou o topo de um pequeno abeto enquanto cavalgava resultando na forma estranha. Muitas lendas foram capturadas em desenhos infantis.
 
 
...
 
 
Passo agora a mais um bonito concorrente o Helena é um Choupo-Negro tem a idade duzentos e vinte anos e vive emHel, na província dePomorskie,  Polónia.
 
 

 

Helena, um monumento natural, fica na parte mais bonita da Polónia, única na Europa. O nome do choupo não foi escolhido aleatoriamente. Enfatiza a identidade do lugar onde cresce. A árvore testemunhou muitos eventos e transformações na comunidade de Hel. A sua vida está relacionada com o drama da guerra e à defesa heróica de Hel. Como a rainha da paisagem circundante, as torres de choupos alinham-se majestosamente ao longo do caminho que conduz à península. 

 

...

 

 

Eis agora o concorrente português, o tranquilo Assobiador, um Sobreiro, tem a bonita idade de duzentos e trinta e quatro anos e vive em Águas de Moura, no Alentejo, Portugal.

 

 

 

O Assobiador deve o nome ao som originado pelas inúmeras aves que pousam nos seus ramos. Plantado em 1783 em Águas de Moura, este sobreiro já foi descortiçado mais de vinte vezes. Além do contributo para a indústria, é impossível quantificar o seu impacto na manutenção do ecossistema e no combate ao aquecimento global. Com 234 anos, o Assobiador está classificado como “Árvore de Interesse Público” desde 1988 e e inscrito no Livro de Recordes do Guinness como "o maior sobreiro do mundo"!

 

...

 

Vamos então passar a mais um fantástico resistente deste nosso mundo, o Carvalho de Cajvana, que tem cerca de setecentos e cinquenta anos, mora na cidade de Cajvana que fica no condado de Suceava na Roménia:

 

 

Os habitantes locais acreditam que esta árvore data do tempo da grande invasão tatar (1241), quando todas as pessoas da região morreram na batalha. Eles teriam sido enterrados numa vala comum, no local do qual este carvalho foi plantado. De acordo com outra lenda, em 1476, o príncipe moldavo Stefan cel Mare, acompanhado por dos seus soldados, descansou à sombra desta árvore, onde lhes foi servido um queijo fresco - caş em romeno, daí o nome Cajvana.

 

...

 

 

Eis mais um extraordinário Carvalho-Comum, com cento e oitenta e oito anos, vive na Vila de Dubovoye, Região de Belgorod, na Federação Russa.

 

 

 

Este carvalho cresce numa área de proteção ambiental especial. É um Monumento do Património Natural Nacional que testemunhou vários eventos históricos. Sob a sua copa realizaram-se eventos públicos e celebrações. Esta árvore é objeto de admiração especial para as crianças. Para eles, o carvalho é um símbolo de amizade, saúde e memória de seus antepassados. Eles organizam flash-mobs para formar um coração à volta da árvore e enviar ondas de paz e bondade para todas as pessoas do planeta.

 

...

 

 
 
Outro finalista deste concurso, a Macieira de Bosáca, cento e vinte anos de vida e vive na Eslováquia.
 

 
A antiga macieira é um monumento dos comerciantes de fruta, cujas árvores crescem e dão frutos por mais de cem anos. Trata-se de uma variedade regional pouco conhecida, rara e atualmente quase esquecida. Hoje, a árvore tem um tronco bonito com várias cicatrizes. Mas, apesar dos seus danos, tem uma vitalidade interna incrível. Floresce ricamente na primavera e fornece uma colheita abundante de maçãs no outono, que dura até o verão seguinte. Quando nos sentamos à sua sombra, podemos aprender com o seu exemplo a nunca desistir e enfrentar os desafios da vida.
 
 
...
 
 
 
De Espanha vêm estes sete incríveis Ulmeiros, que têm quatrocentos e cinquenta anos de vida, vivem naCabezaBuey, Badajoz, Espanha.
 

 

Estes 7 ulmeiros ancestrais são considerados a última representação das florestas urbanas de ulmeiros da Extremadura. Apesar da ameaça da grafiose do ulmeiro (uma doença que matou mais de 1 milhão de árvores em Espanha e mais de 1 bilhão no mundo), estas árvores conseguiram permanecer de pé, nos arredores da ermida do Santuário de Nossa Senhora de Belém, de grande valor histórico artístico e com origem templária. Nesta área, é celebrada uma antiga peregrinação desde 1650.

 

...

 

 
E por último mais um Carvalho, tem entre quatrocentos e cinquenta a quinhentos e cinquenta anos de vida, mora em Londres na Inglaterra.
 
 

O carvalho Gilwell Oak é sinónimo de escutismo. Situa-se no coração de Gilwell Park em Epping, o lar do movimento escuteiro concebido por Robert Baden Powell. O grande carvalho foi adotado por Powell como uma ótima analogia em 1929, não só pelo crescimento do movimento de escutismo em todo o mundo, que começou com um pequeno campo experimental cerca de 21 anos antes, mas como uma mensagem aos jovens escuteiros de que as grandes feitos são possíveis a partir de inícios modestos.

 

 

Assim chegamos ao fim da apresentação das árvores finalistas, as fotografias e as histórias da árvores foram retiradas do site onde podem votar para eleger o vencedor, podem também ver mais detalhes sobre estes sobreviventes, resilentes e grandiosos.

 

 

 

Para votar e saber mais: Árvore Europeia do Ano 2018 As votações realizar-se-ão entre o dia 1 e 28 de Fevereiro de 2018. 

 

 

 

Alice Alfazema

 

 
 
 

Bom dia :-)

Novembro 19, 2017

Alice Alfazema

 

Enfunando os papos, 
Saem da penumbra, 
Aos pulos, os sapos. 
A luz os deslumbra. 



Em ronco que aterra, 
Berra o sapo-boi: 
- "Meu pai foi à guerra!" 
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!". 



O sapo-tanoeiro, 
Parnasiano aguado, 
Diz: - "Meu cancioneiro
É bem martelado. 

 

 

 

Vede como primo 
Em comer os hiatos! 
Que arte! E nunca rimo 
Os termos cognatos. 



O meu verso é bom 
Frumento sem joio. 
Faço rimas com 
Consoantes de apoio. 



Vai por cinquüenta anos 
Que lhes dei a norma: 
Reduzi sem danos 
A fôrmas a forma. 



Clame a saparia 
Em críticas céticas:
Não há mais poesia, 
Mas há artes poéticas..." 

 

 

 

Urra o sapo-boi: 
- "Meu pai foi rei!"- "Foi!" 
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!". 



Brada em um assomo 
O sapo-tanoeiro: 
- A grande arte é como 
Lavor de joalheiro. 



Ou bem de estatuário. 
Tudo quanto é belo, 
Tudo quanto é vário, 
Canta no martelo".

 

Outros, sapos-pipas 
(Um mal em si cabe), 
Falam pelas tripas, 
- "Sei!" - "Não sabe!" - "Sabe!". 

 

 

 

Longe dessa grita, 
Lá onde mais densa 
A noite infinita 
Veste a sombra imensa; 



Lá, fugido ao mundo, 
Sem glória, sem fé, 
No perau profundo 
E solitário, é 



Que soluças tu, 
Transido de frio, 
Sapo-cururu 
Da beira do rio...

 

 

Poema de Manuel Bandeira

 


E tu que lês-te isto, que tipo de sapo és tu?

 

 

 

 

 

Alice Alfazema

 

Micro contos - A mulher que faz milagres

Novembro 07, 2017

Alice Alfazema

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A mulher pegou na folhinha e pô-la cuidadosamente num copo com água. Esperou que a pequena folha criasse raiz. Passaram dias até que do caule despontaram as pequenas raízes finas e brancas. A mulher deixou que crescessem e mudou a água quando achou que era necessário. Num dia resolveu que havia de lança-la à terra e colocou-a num vaso pequenino e aconchegante, protegeu-a do vento e do frio, deu-lhe sol, adubou-a, mexeu-lhe a terra como fazem as minhocas. E ela cresceu, cresceu e deu flor. A mulher fez um milagre. E a flor deu-lhe um sorriso. 

 

 

Alice Alfazema

Valpaços 1989 - Gentes com garra!

Outubro 24, 2017

Alice Alfazema

 

A história faz-se de gente que não baixa os braços, aqui fica este texto para memória futura, como forma de homenagem a quem lutou pela terra que ama e por aquilo em que acredita. 

 

 

 

Numa tarde de domingo, largaram todos para destruir os 200 hectares de eucalipto que uma empresa de celulose andava a plantar na quinta do Ermeiro, a maior propriedade agrícola da região.

 

 

À sua espera tinham a GNR, duas centenas de agentes. Formavam uma primeira barreira com o objetivo de impedir o povo de arrancar os pés das árvores, mas eram poucos para uma revolta tão grande.

 

 

A tensão subiria de tom ao longo da tarde. «Houve ali uma altura em que pensei que as coisas podiam correr para o torto», diz agora António Morais, o cabecilha dos protestos. Havia agentes de Trás os Montes inteiros, da Régua e de Chaves, de Vila Real e Mirandela.

 

 

A guerra tinha começado a ser preparada um par de meses antes, quando António Morais, proprietário de vários hectares de olival no Lila, percebeu que uma empresa subsidiária da Soporcel se preparava para substituir 200 hectares de oliveiras por eucaliptal para a indústria do papel. «Tinham recebido fundos perdidos do Estado para reflorestar o vale sem sequer consultarem a população», revolta-se ainda, 28 anos depois.

 

 

«Nessa altura o ministério da agricultura defendia com unhas e dentes a plantação de eucalipto.» Álvaro Barreto, titular da pasta, fora anos antes presidente do conselho de administração da Soporcel e tornaria ao cargo em 1990, pouco depois das gentes de Valpaços lhe fazerem frente.

 

 

«A tese dominante dos governos de Cavaco Silva era que urgia substituir o minifúndio e a agricultura de subsistência por monoculturas mais rentáveis, era preciso rentabilizar a floresta em grande escala», diz António Morais. O eucalipto adivinhava-se uma solução fácil.

 

«Comecei a ler coisas e percebi que o eucalipto nos traria grandes problemas», continua António Morais. «Por um lado, numa região onde a água é tudo menos abundante, teríamos grandes problemas de viabilidade das outras culturas. Nomeadamente o olival, que sempre foi a riqueza deste povo. E depois havia os incêndios, que eram o diabo. São árvores altamente combustíveis e que atingem uma altura muito grande.»

 

Hoje, o Ermeiro é terra de nogueiras e amendoeiras, oliveiras e pinho. Nunca ardeu. Serafim Riem, o ambientalista da Quercus, diz que até hoje a guerra do povo de Valpaços é um marco, a maior ligação jamais vista no país entre o mundo rural e o ativismo ecológico.

 

«A única maneira de travar os incêndios em Portugal é reduzir drasticamente o eucaliptal e substituí-lo pela floresta autóctone, que não só tem melhor imunidade ao fogo como gera uma riqueza mais diversificada para as populações.»

 

Naquele 31 de março de 1989, o povo uniu-se e, diz agora, salvou-se. «Nós é que tínhamos razão», repetem uma e outra vez, repetem todos. Às seis da tarde, depois de José Oliveira ser libertado, um vale inteiro voltou pelo mesmo caminho e juntou-se no principal largo de Veiga do Lila. Mataram-se dois borregos e um leitão, abriram-se presuntos e deitaram-se alheiras à brasa, houve até quem trouxesse uma pipa de vinho. A festa durou noite dentro e foi maior do que qualquer romaria de Santa Bárbara.

 

 

 Texto de Ricardo J. Rodrigues | Fotografia de Rui Oliveira / Global Imagens

 

 

Retirado de Notícias Magazine, clique para ver o artigo completo.

 

 

 

 

Alice Alfazema 

 

Onde costumas colar a tua pastilha elástica?

Setembro 17, 2017

Alice Alfazema

«Do lentisco verdadeiro de Brotero (Pistacia lentiscus), que se cria pelos mattos e vallados das fazendas, se póde colher a almecega ou mastique que tem uso nas boticas, e na composição dos vernizes. Os habitantes da Ilha de Chio na Grécia são os que aproveitão esta rezina, fazendo no principio de Agosto incisões na cortiça do tronco do arbusto, sem tocar nos ramos novos, e por ellas vai distillando o suco nutritivo em pequenas lágrimas que amadurecendo formão os grãos de mastique, e se apanhão no mesmo arbusto, onde durão todo o mez; ou na terra quando tem cahido. (...)
Ainda que os botânicos dêm a este arbusto o nome de lentisco, com tudo no Algarve ninguem o conhece por tal, e sim pelo de aroeira, chamando-se lentisco ao Phyllirea angustifolia de Linneo, lentisco bastardo de Brotero. (...) 

 

 

 

 

Chios, a ilha no mar Egeu a menos de 10 km da costa turca (a oeste de Izmir) referida por Silva Lopes é conhecida ainda hoje não apenas por, supostamente, ter sido o berço de Homero, mas igualmente pela exportação de mastique, a resina da aroeira utilizada na confecção de inúmeros e famosos produtos gregos, turcos, egípcios, macedónios, búlgaros e demais países desta zona do globo, dando nome a uma bebida alcoólica muito apreciada, a Mastika. As «lágrimas de Chios» continuam ingrediente indispensável na gastronomia e cosmética locais, mas alguns dos produtos confeccionados com esta goma têm fama internacional, como é o caso das delícias turcas ( «Turkish Delight»).

 

 


Os venezianos e genoveses, que dominaram a ilha durante quatro séculos até esta passar em 1566 para domínio turco, foram os primeiros a comercializar o mastique. A Grécia reconquistou o domínio da ilha em 1913, quase um século depois dos terríveis massacres turcos que Eugène Delacroix, talvez o mais conhecido pintor romântico francês, imortalizou no quadro «Massacre em Chios» que pode ser apreciado no Louvre.

 

 

 

Texto retirado do blogue De Rerum Natura, é um artigo de Palmira F. da Silva, para ler o texto completo clicar aqui.

 

 

 

Alice Alfazema

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