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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Densidade

06.12.20, Alice Alfazema
Ilustração Lynn Bywaters     No alto da duna o Búzio estava com a tarde. O sol pousava nas suas mãos, o sol pousava na sua cara e nos seus ombros. Esteve algum tempo calado, depois devagar começou a falar. Eu entendi que ele falava com o mar, pois o olhava de frente e estendia para ele as suas mãos abertas, com as palmas em concha viradas para cima. Era um longo discurso claro, irracional e nebuloso que parecia, como a luz, recortar e desenhar todas as coisas. Não posso repetir (...)

A dor e o prazer

08.10.16, Alice Alfazema
  A natureza colocou a humanidade sob a governação de dois mestres soberanos: a dor e o prazer. Somente a eles lhes compete dizer o que devemos fazer.   Jeremy Bentham   A dor e o prazer são uma troca, um vai o outro fica,  enquanto um se ausenta o outro assenta arraiais, às vezes durante muito tempo, outras por breves momentos. É um vai e vem (...)

Às mães

27.01.14, Alice Alfazema
  mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses  as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.  sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.  pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste  tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te  desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.  às vezes, quero (...)