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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Leitos rugosos

25.02.15, Alice Alfazema
  Serão os braços da Árvore Neptúnica metamorfose de um feto abrindo as flores do Éden nas mãos da criança.   Os dias, lentos, baloiçam o fruto.   O poema  percorre leitos rugosos salta despenhadeiros encosta o rosto às falésias e vem poisar suavemente na foz do símbolo.   Poema é sulco na terra, raiz agarrada ao branco de uma folha (...)

Uma pergunta por dia: Andarmos distantes da Natureza torna-nos fúteis?

25.10.14, Alice Alfazema
  Num dia excessivamente nítido, Dia em que dava a vontade de ter trabalhado muito Para nele não trabalhar nada, Entrevi, como uma estrada por entre as árvores, O que talvez seja o Grande Segredo, Aquele Grande Mistério de que os poetas falsos falam.   Vi que não há Natureza, Que Natureza não existe, Que há montes, vales, planícies, Que há (...)

Uma pergunta por dia: Somos prisioneiros do tempo ou o tempo é o nosso libertador?

31.08.14, Alice Alfazema
  Pintura Vladimir Kush   Para não matar seu tempo, imaginou: vivê-lo enquanto ele ocorre, ao vivo; no instante finíssimo em que ocorre, em ponta de agulha e porém acessível; viver seu tempo: para o que ir viver num deserto literal ou de alpendres; em ermos que não distraiam de viver a agulha de um só instante, plenamente.   João Cabral de Melo Neto   [...] São compridos os dias mas cada vez mais breves as secções da (...)

Eu estou aqui

09.04.14, Alice Alfazema
    Pobres das flores dos canteiros dos jardins regulares. Parecem ter medo da polícia... Mas tão boas que florescem do mesmo modo E têm o mesmo sorriso antigo Que tiveram para o primeiro olhar do primeiro homem Que as viu aparecidas e lhes tocou levemente Pa (...)

Visões

10.06.13, Alice Alfazema
        Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência.           Pintura de Pier Toffoletti   A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim. Ca (...)