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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Namorar

14.02.17, Alice Alfazema
  Ilustração Leandro Lamas   Quem ousará dizer que ele é só alma? Quem não sente no corpo a alma expandir-se até desabrochar em puro grito de orgasmo, num instante de infinito? O corpo noutro corpo entrelaçado, fundido, dissolvido, volta à origem dos seres, que Platão viu completados: é um, perfeito em dois; são dois em um.          Carlos Drummond de Andrade, in O Amor Natural     Alice Alfazema

Cupido

12.02.15, Alice Alfazema
Ilustração Mo Chun    estávamos a grelhar o anjinho cupido e o anjinho cupido grelhado é como um franguinho encolhido sem muita diferença resolvemos comer o amor porque a fome era tanta e o amor um desperdício as flechinhas, com as quais o anjinho cupido se preocupava tanto, serviram para fazer o lume, arderam bem e com facilidade. íamos meter as flechinhas no cu para as mandar às urtigas e vingarmo-nos de algum modo, mas o lume era essencial e a fome grande e o anjinho cupido (...)