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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Dezembro

2020

01.12.20, Alice Alfazema
  O primeiro dia é sempre de admiração, depois de dividirmos os meses em montinhos de trinta, ou mais ou menos trinta. Como se os dias ficassem mais leves de contar se estiverem agrupados em prateleiras certas e quase iguais. E os últimos trinta e um do ano chegaram. Parecem-me os restos de um café com leite que ficou no fundo de uma caneca,  e que alguém te obriga a beber tudo até ao fim, já frio, com migalhas ensopadas. Toma lá o resto, vá só falta isso, mais um golo, (...)

Dezembro - Dia 2 - Saudades

02.12.19, Alice Alfazema
  Ilustração  Sylvie Bulcourt     Se eu pudesse contar as saudades, não saberia dizer o número certo, porque me perderia. Saudades de mim, saudades do tempo, dos risos, dos afectos, daqueles abraços sedosos e do cheiro da casa cheia, da canela e do açúcar amarelo, do cheiro do café acabado de fazer, quente como o coração da gente.

Dezembro - Dia 1 - Alegria

01.12.19, Alice Alfazema
  Ilustração Catherine Chauloux   Alegria talvez seja a alavanca que precisamos para mudarmos, o gesto estaminal que possuímos para desvanecer o horizonte sombrio. Dezembro é um mês sombrio, de magoas, e devaneios saudosos, pode ser lembrança dura, pode ser saudade pura. Começar Dezembro sem lembranças é talvez a mais débil existência. Relembrar momentos equivale e uma doce percepção daquilo que vale a pena.   Dezembro desatento, Dezembro manso, Dezembro de desgostos e (...)