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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

A vida passa lá fora

09.05.21, Alice Alfazema
A vida passa lá fora, como se nada fosse, e sinto que o meu tempo foi-me roubado nestes últimos meses, o que não fiz e queria muito fazer, se a minha vida acabasse agora estaria incompleta, provavelmente ficará sempre incompleta, mas quero que seja o mais preenchida na medida do possível. Quando somos jovens pensamos que temos todo o tempo do mundo, depois o tempo transforma-se num túnel, cada dia mais afunilado, e aí cada dia passa a valer muito mais que as vinte e quatro horas (...)

Cama

24.09.20, Alice Alfazema
Ilustração Virginia Mori     Eu gostava de ter uma cama de mar azul brilhante. Que fosse sempre feita e desfeita numa cadência ritmada de um maestoso. Onde eu pudesse descansar nas ondas e sentir o aveludado da água na minha pele. Nem sonhos de sereias, nem de medusas monstruosas e venenosas. Apenas sonhos de peixinhos e conchas com algas leves e coloridas. E ouvir a voz do mar, com o som que há dentro dos búzios.       

Descanso

04.07.20, Alice Alfazema
Ilustração Alice Caldarella   Apesar do descanso dos dias sinto-me cansada, exausta de pensar, pensar que não quero a vida que tinha, não quero aquela azáfama desvairada e já sem retorno. Finalmente dei-me conta do quanto estava cansada, e da minha insistência em não descansar. Um outro eu espreita e toma conta do meu cérebro, um eu mais egoísta, mais exigente, menos compreensivo com as desculpas. Esta mudança de pele é complexa, ouvi dizer que as cobras ficam mais (...)

#diariodagratidao 23-05-2019

23.05.19, Alice Alfazema
  Ilustração Rafal Olbinski   Cheguei a casa e descansei, não pus os pés na Lua, mas retirei-os do chão. Continuo a surpreender-me com a subtileza do mal, com os sorrisos descarnados de empatia. Sentei-me e desejei por os pés na Lua, mas a minha perna era demasiado curta.