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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

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04.03.21, Alice Alfazema
Batidas na porta da frente é o tempo Eu bebo um pouquinho pra ter argumento Mas fico sem jeito, calado ele ri Ele zomba de quanto eu chorei porque sabe passar e eu não sei Num dia azul de verão sinto vento há folhas no meu coração é o tempo recordo um amor que eu perdi ele ri Diz que somos iguais se eu notei pois não sabe ficar e eu também não sei E gira em volta de mim sussurra que apaga os caminhos que amores terminam no escuro sozinhos Respondo que ele aprisiona, eu liberto Q (...)

O que virá

10.11.20, Alice Alfazema
Ilustração Andrea Calisi   Fez-nos bem, muito bem, esta demora:  Enrijou a coragem fatigada...  Eis os nossos bordões da caminhada,  Vai já rompendo o sol: vamos embora. Este vinho, mais virgem do que a aurora,  Tão virgem não o temos na jornada...  Enchamos as cabaças: pela estrada,  Daqui inda este néctar avigora!... Cada um por seu lado!... Eu vou sozinho,  Eu quero arrostar só todo o caminho,  Eu posso resistir à grande calma!... Deixai-me chorar mais e beber mais,  Perseguir doidamente os meus ideais, 

Janeiro 20/20

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05.01.20, Alice Alfazema
  Ilustração Pedro Tapa   Pensar-se enquanto animal consiste em preparar-se para aliviar a pressão da cultura sobre a natureza, e isso envolve a construção de um novo laço com o meio ambiente e as outras espécies. Se abandonamos a animalidade, ela não nos abandonou, e fala dentro da própria cultura. São ilusões, mitologias, hipertrofias que vão se dissolvendo e revelando uma realidade humana mais próxima, biológica e figurativamente, das bestas que dos anjos.   Jair (...)