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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Mudança da hora

01.09.18, Alice Alfazema
Dizem alguns especialistas que as criancinhas que entram na escola no período da manhã vão ser prejudicadas pela não mudança da hora de Inverno, dizem então que o corpo ao acordar com as estrelas ainda não está preparado para acordar, mas o corpo de alguma criança está preparado para se levantar cedo? Depois dizem mais: que as pessoas não vão conseguir começar logo a produzir. E pá, eu já sentia isto! O meu relógio provavelmente anda avariado.   Fiquei assim a pensar, (...)

Horizonte

20.06.18, Alice Alfazema
  Ilustração Evgenia Gapchinska       O sonho é ver as formas invisíveis Da distância imprecisa, e, com sensíveis Movimentos da esperança e da vontade, Buscar na linha fria do horizonte A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte — Os beijos merecidos da Verdade.          Fernando Pessoa  

Dia internacional da criança

01.06.17, Alice Alfazema
  Ilustração Amy Cartwright   Ou se tem chuva e não se tem sol ou se tem sol e não se tem chuva!   Ou se calça a luva e não se põe o anel, ou se põe o anel e não se calça a luva!   Quem sobe nos ares não fica no chão, quem fica no chão não sobe nos ares.   É uma grande pena que não se possa estar ao mesmo tempo em dois lugares!   Ou guardo o dinheiro e não compro o doce, ou compro o doce e gasto o dinheiro.   Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo… e vivo (...)

Micro contos - Na fila do bacalhau

20.06.16, Alice Alfazema
No supermercado o pai andava às compras com os seus rebentos. Um no carrinho, ainda de chucha, o outro já grandinho entretinha-se a baralhar as placas que estavam na padaria, com o nome e o preço do pão. O pai sempre atarefado ao telemóvel, a criança pequena a gritar levemente, o pai ao telemóvel, a criança grande a andar de um lado para outro. O pai ao telemóvel. A criança pequena chateada com tudo aquilo. Todos na fila do pão. Todos na fila do bacalhau. O pai ao telemóvel.    (...)

Criança

01.06.16, Alice Alfazema
    Ser criança é algo a que muita gente não tem acesso. É viver tranquilo, livre da fome e das misérias humanas. Ser criança, é mais que ser baixinho, ter mãos pequeninas e risos eufóricos. É a oportunidade de ser e de crescer que fortalece a identidade, é um direito escrito. Ser realmente criança é a sorte de ter nascido de alguém que se (...)

E se fosse eu a receber um refugiado em minha casa?

10.04.16, Alice Alfazema
    "E se fosse eu? Todos responderam o que levariam nas respectivas mochilas. Até aqui, tudo bem. Mas, depois, perguntei: E se fosse eu a receber um refugiado em minha casa? E, aí, as respostas prontas converteram-se em silêncio. Um silêncio incómodo. Olhavam-se entre eles. Mostravam surpresa. Nenhum deles me deu uma resposta. Nada. Só admiração, espanto. Perguntei se dividiriam o quarto deles com um refugiado da idade deles. A maior parte disse que não. E foram bastante (...)

O menino

04.09.15, Alice Alfazema
Imagem daqui.   E o menino estava deitado na areia da praia, quase como se estivesse a brincar com as ondas, parecia adormecido. Vestidinho com cuidado, cabelo curto, tal como nos artigos de publicidade.  No entanto este menino é um vestígio da guerra, de um jogo do empurra, da incompreensão entre os povos, do desespero, da ganância, da indiferença, da (...)