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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Conversas da escola - Você foi uma criança feliz?

20.05.19, Alice Alfazema
  Ilustração Irisz Agocs   - Olhe lá Contina... A rapariga mostra-me a zona do cotovelo toda esfolada e com algo que me parecem pedrinhas. - O que é isso? Já desinfectas-te? Parecem pedrinhas. - Já desinfectei, isto parece que é pomada ou pus. - Sabes de uma coisa? Quando eu era miúda andava sempre com os joelhos esfolados, e quando  a ferida já estava a criar carepa, zás, caía outra vez e lá começava tudo de novo. Nós divertia-mo-nos a espremer o pus. - Você foi uma (...)

A criança

05.08.11, Alice Alfazema
    A criança que eu fui não viu a paisagem tal como o adulto em que se tornou seria tentado a imaginá-la desde a sua altura de homem. A criança, durante o tempo que o foi, estava simplesmente na paisagem, fazia parte dela, não a interrogava, não dizia nem pensava, por estas ou outras palavras: «Que bela paisagem, que magnífico panorama, que deslumbrante ponto de vista!» (...)

Plantei girassóis. Semeei estrelas.

11.11.10, Alice Alfazema
  "Das mãos que me vestiram e acarinharam em criança, guardei os gestos de silêncio e ternura.   Em vibração e alegria adolesci.   Nas margens dos voos e das vertigens amadureci.   Bebi o sol e mar, mergulhei as mãos no azul, provei a água dos frutos, sorvi o orvalho das rosas.   Com estes fios, por dentro, me teci, me cobri e descobri.   Com eles atravessei poentes e alvoradas, sulquei caminhos, subi montanhas.   Plantei girassóis. Semeei estrelas."