Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Micro contos - A procura

21.07.19, Alice Alfazema
  Ilustração Marly Gallardo   Que procuras tu quando te escondes na praia? Debaixo de um chapéu de sol, enquanto enterras os teus pés para sentires a areia fresca que está por baixo da escaldante. Levas contigo os teus pensamentos para todo o lado, mesmo que te vistas de modo diferente e a paisagem seja outra daquela que estás habituada. Mudas-te de cor de cabelo, e fizeste umas unhas coloridas, mas nada mudou. O que (...)

O rapaz dos três corações

13.02.19, Alice Alfazema
Era uma vez um rapaz que tinha três corações. Um do lado esquerdo, outro do lado direito, e o terceiro nas costas. No do lado esquerdo guardava as emoções que tinha sentido no passado,  num canto ficava a sua infância no campo e na praia, e no outro as aprendizagens  que tinha feito enquanto brincava com os amigos. No coração do lado direito, tinha arrumadas todas as peripécias do quotidiano diário enquanto adulto, alguns males de amor, um sonho escondido e preocupações com (...)

Estrela luminosa

20.11.18, Alice Alfazema
  Ilustração Paolo Domeniconi   Se eu um dia pegasse uma estrela iria colocá-la com muito cuidado junto à minha janela, para que ela iluminasse a minha rua, tal e qual como um brilho mágico de um pirilampo.   Noutras noites iria agarrá-la com muita força e transformá-la numa estrela cadente e surpreender-me com a velocidade com que iria andar pelos céus. Voltaria então a guardá-la à janela, ou quem sabe na porta no dia (...)

Micro contos - Bondade avulso

31.08.18, Alice Alfazema
  Ilustração  Maggie Cole     Ela era muito atenta e raramente dividia o seu poder, gostava de ser boazinha. Espalhava atenção por onde passava, dando a sensação de estar em todo o lado. As pessoas prestavam-lhe vassalagem com sorrisos e festinhas, por vezes também utilizavam a língua. Então ela retirava do bolso do seu casaco um pequeno pacote de bondade e dava umas quantas gramas a quem achava que merecia por ter tido o melhor sorriso ou a língua mais comprida.       

Micro contos - Dá jeito contornar a realidade

30.08.18, Alice Alfazema
  Ilustração Thierry Manes     Dá jeito. Porque a realidade vista durante cinco minutos não é a mesma de várias horas seguidas. A realidade de uma frase não abarca todos os indicadores que uma conversa poderá ter. A realidade das competências de cada um não se resume apenas à experiência. A opinião não é uma realidade é um contorno e às vezes dá jeito tê-la. 

Micro contos - A canseira de estar cansado

09.08.18, Alice Alfazema
  Ilustração Ellen Surrey       Não me posso queixar que estou cansada, há sempre alguém mais cansado do que eu. Ou porque tem menos tempo e tem muita coisa por fazer. Ou porque tem um problema físico que impede de ser mais enérgico. Eu fico a duvidar de mim, não sei argumentar sobre o meu cansaço, será que estou mesmo cansada? Ou sou demasiado queixinhas. Que canseira!       Alice Alfazema

Micro contos - Um bafo quente começado com A

04.08.18, Alice Alfazema
Pela manhã vou até ao café cá do bairro comprar umas carcaças para o pequeno almoço, são estaladiças e deliciosas. Entro no estabelecimento e está um fresquinho bom, têm o ar condicionado ligado, lá fora o dia  começa a apresentar-se infernal. Aprecio a decoração e os clientes. Está tudo a mastigar e a conversar animadamente de umas mesas para as outras. Alguém pergunta: então onde é que ela está? Respondem: no Algarve. Ouve-se então um eco: E pá, então vai passar (...)

Micro contos - Ferrugem acutilante

30.06.18, Alice Alfazema
  Ilustração Anna Paolini     Aquela sensação era pior que ferrugem, minava-a devagarinho, deixando-a com rugas amargas no rosto. Olhou-se no espelho e viu que os cantos da boca estavam virados para baixo. No coração  invadia-lhe um sentimento de ciúme. Queria ser a preferida.      Alice Alfazema

Micro contos - O lado prático

29.06.18, Alice Alfazema
  Era uma vez um menino que gostava de inventar, experimentar emoções e sentir o lado prático da vida.        E uma menina que gostava de brincar com a sombra e ver os reflexos na água.     Um dia cresceram e esqueceram-se da infância e do lado prático da vida.           Passaram então a caminhar sem parar, dia após dia. Começaram a chamar lamechas às emoções. Com o tempo foram  perseguidos pelas sombras e ficaram perdidos nos seus reflexos.              (...)