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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

(a) braços

12.04.21, Alice Alfazema
   Não é por acasoque existe um espaçoentre dois braçoslugar onde se semeiamgerminam e crescemos abraços No espaçoentre dois braçosexauram-se medos e agoniasremovem-se pedras do caminhofecundam-se sonhoscriam-se laços No espaço entre dois braçoscalam-se as vozes e os passosfalam os sentidos consentidosnasce a vertigem de coraçãocom coração sem embaraços Não não é por acasoque existe um espaçoentre dois braçoslugar onde se semeiame crescem os abraços   Poema de (...)

Micro contos - Transparências

09.04.21, Alice Alfazema
Fiquei ali, olhando a pequena abelha, enquanto ela estendia as suas asas brilhantes e transparentes ao sol da manhã que se erguia,  num voo parado e vibrante,  pensei em quantos batimentos de asas por segundo seriam necessários para manter-se assim sem sair do lugar. Aquela dança milenar era aos meus olhos uma novíssima descoberta.   

Micro contos - Madrugada

07.04.21, Alice Alfazema
Ilustração Lucía Antruejo Há pessoas que trazem em si a noite, como vagarosas formas de ser, porque o tempo, como bem sabemos demora mais a passar à noite. E outras levam consigo o dia, de tão atarefadas que são mostrando-se em constante desassossego. E há ainda as que são madrugada por descobrir.  

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31.03.21, Alice Alfazema
   Da margem do sonhoe do outro lado do maralguém me estremecesem me alcançar.Um bafo de desejochega, vago, até mim.Perfume delidode impossível jasmim.É ele que me sonha?Sou eu a sonhar?Sabê-lo seriadesfazer, no vento,tranças de luar.Nuvens,barcos,espumasdesmancham-se na noite.E a vida lateja, longe,num outro lugar.  Poema de Luísa Dacosta