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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Verdade verdadinha

05
Mar24

IMG_20240225_110910.jpgDepois de tantos dias sem aqui escrever, eis que volto da viagem feita de silêncio e de descanso de palavras, feita de dias inteiros com exactamente vinte e quatro horas, de fins de semana com sábado e domingo. Vejo agora que foram iguais, as verdades e as mentiras, e que os dias e as noites nem sempre se assemelham àquilo que projectamos, para alguns as mentiras ditas dignamente sabem sempre a verdade. Digo dignamente como quem canta um refrão piedoso, feito de mão no peito e esmola ao pobre. Coisas do bem que fica bem, mas que não vão além.  E fico sempre admirada com tal proeza, como se fosse a primeira vez. O que me encanta afinal? Talvez a fineza de tanta leviandade, de se repetir encarecidamente que é verdade. 

Algas dão à costa em Portugal,

que raio de coisa é essa?

09
Jun23

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Parece que há malta indignada com as algas que estão a dar à praia, ali para os lados das praias da Arrábida, uns não sabem o que é, outros estão perplexos com tamanha afronta da natureza, como é que aquilo veio dar à praia (?), manchando as águas cristalinas semelhantes aos mais belos trópicos, que praia mais linda manchada pelo horror de plantas lembrando uma sopa de caldo-verde. O pânico instalou-se. Como vou molhar meu rico pezinho em tal caldo(?). E o dinheiro gasto no protector anti-areia (?), será que também dá para prevenir a aderência da ervinha na pele delicada (?). Ó Deus porque nos fizestes tão comichosos?

Eu uma pessoa do tempo em que a malta ia para Troia, praia de dias de água cristalina e de muitos outros de algas e alforrecas, em que nos tínhamos de atirar à água sem grandes contemplações, mergulhando e rezando para que a malvada da alforreca que havíamos mapeado não mudasse de direcção rapidamente, mentira isso não acontece, elas andam ao sabor da corrente, e eram grandes e largas, fazendo lembrar gelatinas acabadas de sair das taças, nesses dias os mergulhos eram mais rápidos, mas nunca a praia deixou de ter o seu genuíno encanto.

Agora, neste mundo (que se quer) tão perfeito, é tudo tão, mas tão monótono, que se torna enjoativo, a perfeição da pele, a perfeição da escrita, a perfeição do peso, a perfeição das palavras escolhidas para as entrevistas, a resposta a dar e a resposta a ter, sem surpresas, a par disso há cada vez mais desconhecimento para com a nossa origem natural, um paradoxo, uma vez que se diz (mas não parece) que somos das gerações com mais conhecimento adquirido. 

Será que a culpa foi do Óscar?