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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Ou isto ou aquilo

Maio 13, 2018

Alice Alfazema

 

 

Ilustração Monica Garwood

 

 

 

 

Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!

 

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

 

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

 

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!

 

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

 

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!

 

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

 

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

 

Cecília Meireles

 

 

Chuva

Outubro 16, 2017

Alice Alfazema

 

Ilustração Stanley Kerr

 

 

Neste momento está a chover. Há tanto tempo que não chove. Já tinha saudades da chuva e do cheiro a terra molhada. As formigas hão-de esconder-se das gotas de chuva. Abençoada água que cai do céu e molha a terra demasiado seca. O resto das folhas das árvores hão de cair já sem força para continuarem nos ramos. A chuva cai de mansinho, avançando pela estrada escura e suja de pó. Lava a estrada, lava o ramo, lava a mágoa do dia de ontem. Bem-vinda chuva que estais caindo.

 

 

 

Alice Alfazema

 

 

 

A chuva é uma coisa vulgar?

Fevereiro 04, 2017

Alice Alfazema

Ilustração Hajin Bae

 

As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudade
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir

 


Há gente que fica na história
Da história da gente
E outras de quem nem o nome
Lembramos ouvir


Ilustração  Roman Muradov

 


São emoções que dão vida
À saudade que trago
Aquelas que tive contigo
E acabei por perder


Há dias que marcam a alma
E a vida da gente
E aquele em que tu me deixaste
Não posso esquecer


Ilustração Anton Yakutovych

 



A chuva molhava – me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera
Ai, meu choro de moça perdida
Gritava à cidade
Que o fogo do amor sob a chuva
Há instantes morrera


A chuva ouviu e calou
Meu segredo à cidade e eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade

 

 

Poema de (clique para ouvir) Jorge Fernando

 

 

 

 

Alice Alfazema

 

Chuva, sono, silêncio e poemas.

Outubro 24, 2016

Alice Alfazema

 

Ilustração Anna Franczuk

 

 

 

Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...

Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...

Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...

 

 

 

Fernando Pessoa

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