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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Conversa com a chuva

07.04.19, Alice Alfazema
  Ilustração Alexi Torres   Assim mesmo eu cá em baixo fico fascinado com a tua luz e admirado como consegues ter essa voz grossa que se ouve a quilómetros e quilómetros de distância. Mas nunca tenho medo porque sei que não estás zangada e lembro-me que por vezes dentro do meu corpo há um barulho assim quando as vísceras andam às voltas porque também eu comi mais do que devia.     E quando acabas os rios estão mais cheios e levam os barcos mais depressa os peixes saltam (...)

#diariodagratidao 05-03-2019

05.03.19, Alice Alfazema
  Ilustração Gabriel Pacheco   Hoje fui ver o rio, havia temporal, gosto de temporais, dão-me a oportunidade de ver a capacidade camaleónica do rio e do oceano se transformarem. O rio estava cinzento e revolto, as gaivotas estavam recolhidas ou então voavam em voos rápidos levadas pelo vento. Na rua um casal passeava abraçado debaixo do guarda-chuva, pareciam alegres apesar de estarem molhados. A chuva escorria pelas vidraças e a roupa não enxugou, foi um dia de preguiça e (...)

Ou isto ou aquilo

13.05.18, Alice Alfazema
    Ilustração Monica Garwood         Ou se tem chuva e não se tem sol ou se tem sol e não se tem chuva!   Ou se calça a luva e não se põe o anel, ou se põe o anel e não se calça a luva!   Quem sobe nos ares não fica no chão, quem fica no chão não sobe nos ares.   É uma grande pena que não se possa estar ao mesmo tempo em dois lugares!   Ou guardo o dinheiro e não compro o doce, ou compro o doce e gasto o dinheiro.   Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo... e (...)

Chuva

16.10.17, Alice Alfazema
  Ilustração Stanley Kerr     Neste momento está a chover. Há tanto tempo que não chove. Já tinha saudades da chuva e do cheiro a terra molhada. As formigas hão-de esconder-se das gotas de chuva. Abençoada água que cai do céu e molha a terra demasiado seca. O resto das folhas das árvores hão de cair já sem força para continuarem nos ramos. A chuva cai de mansinho, avançando pela estrada escura e suja de pó. Lava a estrada, lava o ramo, lava a mágoa do dia de ontem. (...)