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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Chá de violetas (3)

José Silva Costa

25
Abr20

chá de violetas.jpg

 

Hoje é um dia único, é dia 25 de Abril e estamos num Estado de Emergência, por causa de um vírus que nos obriga a estar em casa e a festejarmos trancados o dia dedicado à Liberdade, hoje este chá de violetas, é servido ao José Silva Costa, que veio visitar-me e trouxe-me um presente muito especial, como sabem eu venero a Serra da Arrábida, que tem recantos mágicos, cheiros inesquecíveis, e memórias que jamais voltarei a viver, esta será mais uma recordação que irei juntar às muitas que tenho da Serra.  O José calçou as botas cardadas e inesperadamente voltou também ele a este lugar mágico, trazendo consigo as suas memórias e o seu testemunho em forma de fado, sobre um pedaço da sua vida, que fez parte da sua mocidade, e transformou para sempre a sua vida e direi eu -  os seus sonhos. Um cravo também para este homens que viveram a Guerra do Ultramar, a maioria sem saber ao que iam. 

 

Foi  a última etapa da preparação para a Guerra Colonial, em 1969, antes de ir para Angola.

 

IMG_8343.JPG

 

Fado
Foi na bela Serra da Arrábida, que me coube a conclusão
Da dura preparação, para a guerra, onde não queria a minha inclusão
Nela, acampamos por umas semanas
Lá no cimo, por cima do Portinho da Arrábida
Recusei-me a nascer antes da guerra acabar
Acabaram por, para a guerra, me mandar
Contra tudo o que fiz, para não embarcar
Numa manhã de Julho, domingo, quando as pessoas, à praia, estavam a chegar
Fizeram-nos, da Praia dos Galapos, a serra trepar, na vertical
Que Bela Serra, a da Arrábida, e a sua linda Cidade de Setúbal!
Onde na sua bela avenida, nos fizeram desfilar
Para recebermos os aplausos da despedida
De tão nobre povo que, de braços abertos, nos acolheu
Foi um ato muito triste, doloroso e honroso
Por ser, por irmos, para a guerra.

Parafrasear Bocage
Bocage, grande Bocage
O meu fado não é semelhante ao teu
Quando os cotejo
Mas, igual causa nos fez perder o Tejo.

 

José Silva Costa

 

 

Obrigada José, gostei imenso de tê-lo por cá e das palavras com que me presenteou. Esta imagem deixa antever Galapos e Galapinhos, é logo por detrás da árvore. 

 

Vizinho do blogue:

Cheia

 

Chá de violetas (2)

24
Abr20

chá de violetas.jpg

 

Coloquei outra vez aqui o chá e a chávena das violetas, pois desta vez vou receber uma visita nesta casa virtual. Há que contornar de forma criativa este confinamento e este distanciamento social, podemos e devemos-nos reinventar, assim estamos aqui na minha sala online, que nunca tem pó, nem mantas pelo sofá, nem desarrumação física, nem tapetes para sacudir, neste espaço vou receber a , ela veio carregadinha de presentes para engalanar aqui a sala, fiquei encantada com estes mimos, e ficarão aqui para nos lembrarmos mais tarde destes dias que nos pareciam longos e avessos àquilo que mais prezamos: A Liberdade. Mas Liberdade é também isto, é o modo como partilhamos as nossas coisas, sem que nos sejam impostas restrições, não estamos em estado físico, estaremos pois em estado virtual. E porque as palavras também animam o corpo, não temos cartas escritas a pulso, mas temos esta forma de comunicar, mesmo à distância, onde demonstramos os nossos afectos, afinal quase todos os dias estamos juntos, mas muitas das vezes sabemos pouco um dos outros, também não interessa saber muito, o melhor é sabermos o essencial, que gostam de nós, e esse é o melhor presente.   

 

 

 

Em tempos de confinamento e isolamento social, em que as visitas reais estão interditas, restam-nos as visitas virtuais…E que bem que sabe visitar os simpáticos vizinhos aqui do bairro do SAPO! Hoje vim visitar a Alice Alfazema (e o seu Querido Ginjas, de quem me tornei fã incondicional). Na bagagem trago alguns miminhos doces e uns licores elaborados por mim…

 

Espero que gostes dos presentes Alice… são de !

Um Abraço Gigante

 

 

 
 
Foi então que vivi; então que vi
os poucos metros que vão
da minha Serra às Estrelas:
é que eu, sendo tão pequeno
que nem às vezes me encontro,
andava ali a pairar,
e o meu fim estava nelas
e o meu princípio no Mar.
 
Um pedacinho de um poema de:
Sebastião da Gama
 
 
Obrigada Zé. Adorei ter-te aqui.
Um abraço Gigante.
Meu e do Ginjas.
 
 
Vizinha do blogue:
 

 

Chá de violetas (1)

Carolina

21
Abr20

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Esta chávena pertenceu à minha avó Carolina, é de porcelana levíssima, tão leve que quando a levantamos  temos de estar a olhar para ela para não perder a sensação daquilo que se tem na mão, hoje e pela primeira vez bebi um chá nela, não sei se alguma vez teria sido usada, talvez nalguma visita que a minha avó tenha recebido, quem sabe se não foi a da sua amiga de longa data a Rosalina, a Ti Rosalina de Olhão, loira de pele clara e com as faces coradas, sempre bem disposta, que nos trazia figos acomodados em cestos que eram feitos à mão, amêndoas doces e macias, que descascávamos no quintal com o martelo de sapateiro, e ameijoas e carcanhóis da ria, e galinhas de figo e bolos de amêndoa. Eram trocas de afectos, mimos, coisas do coração e da amizade, ao regresso levava um cesto de maçã riscadinha, naperons para a cozinha e para os quartos, um saco do pão feito em linha de algodão branco e fino, tudo coisas feitas nas tardes de ócio no degrau da porta de casa, daquela rua tão especial.