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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

"cega, secreta e doce como estrelas"

Floresta

26.05.21, Alice Alfazema
Entre o terror e a noite caminheiNão em redor das coisas mas subindoAtravés do calor das suas veiasNão em redor das coisas mas morrendoTransfigurada em tudo quanto amei. Entre o luar e a sombra caminhei:Era ali a minha alma, cada flor- cega, secreta e doce como estrelas -Quando a tocava nela me tornei. E as árvores abriram os seus ramosOs seus ramos enormes e convexosE no estranho brilhar dos seus reflexosOscilavam sinais, quebrados ecosQue no silêncio fantástico beijei.  Poema (...)

Uma caminhada por dia, nem sabe o bem que lhe fazia

03.02.21, Alice Alfazema
Saí de casa ao escurecer, para esticar as pernas e desanuviar a mente. Não levo música, às vezes nem ando depressa, paro quando me apetece.  O céu estava convidativo à contemplação, os pássaros davam as últimas chalreadas do dia, um mocho ou uma coruja começou a piar ao de leve, as árvores ficaram com sombras fantasmagóricas. As casas pareciam mais sóbrias à medida que aumentavam as zonas escuras. O cinzento tomava conta de tudo, e em todos os tons.  Vejo que as giestas (...)

#diariodagratidao 07-05-2019

07.05.19, Alice Alfazema
  Ilustração Francis Kilian   Desde sábado que não faço aqui o diário da gratidão, tornou-se um hábito do qual eu gosto, e gostaria muito de fazê-lo até ao final do ano, mas no sábado fui passear e fartei-me de caminhar, cheguei a casa tão cansada que fui dormir sem pensar em mais nada a não ser em por a cabeça na almofada e sentir a maravilhosa sensação de esticar as pernas, assim deixei esse dia em branco, (...)

Um detalhe importante

01.11.17, Alice Alfazema
    Nós estamos acostumados a ligar a palavra morte apenas à ausência de vida e isso é um erro. Ao contrário, existem muitos outros tipos de morte, e se faz necessário morrer todo dia um pouco. Caso isso não aconteça, ficamos estacionados, parados num ponto, enquanto o restante do universo continua caminhando, mesmo que lentamente. A morte é ainda mais do que uma passagem, é a indicação de transformação.    Se a semente não morrer, para dar lugar a árvore, os frutos (...)