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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Via

05.09.19, Alice Alfazema
  Ilustração Isabelle Cardinal   Ora (direis) ouvir estrelas! Certo Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto, Que, para ouvi-las, muita vez desperto E abro as janelas, pálido de espanto...   E conversamos toda a noite, enquanto A via-láctea, como um pálio aberto, Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, Inda as procuro pelo céu deserto.   Direis agora: "Tresloucado amigo! Que conversas com elas? Que sentido Tem o que dizem, quando estão contigo?"   E eu vos direi: (...)

Lua cheia

07.09.17, Alice Alfazema
 Ilustração Simone Rea     Quando o céu todo se enfeita. Para uma paz satisfeita E o mundo inteiro se deita Nos braços da escuridão, Aparece a lua cheia, A fulgurante candeia Que pelo espaço vagueia, Clareando a imensidão!   Sutil e cariciosa, Dentro da nuvem garbosa, Ela se eleva ditosa, Num soberbo alumbramento! É o espelho da beleza, Refletindo a natureza, No seu trono de princesa Do salão do firmamento!   O céu – lindos alabastros! Vive marcado de rastros Da (...)

Dois

07.06.15, Alice Alfazema
Estavam os dois tão delicadamente em cima da muralha. De passo solto e elegante, os dois apanhavam o sol do final daquela tarde de Junho. Namoravam. Elevaram-se naquele céu azul, deram a volta e pairaram por um momento. Sentiram os dois o espaço que há entre o céu e a terra. Depenicaram o vento. Namoravam. Voltaram à muralha, não se importaram com (...)

Somos feitos de pó de estrelas

22.03.15, Alice Alfazema
Ilustração Pablo Jurado Ruiz   Notas que há em ti uma certa saudade em voar, em pairar num céu imenso, num vazio esplêndido de caminhos celestes, que te podem levar a outras paragens e que sentes também como tuas. É o pó de estrelas que há em ti.   Somos feitos da mesma matéria que as estrelas e os amores-perfeitos Somos feitos de pó de estrelas   Trata todas as estrelas como se fossem irmãs sejam elas gigantes (...)

O nosso mundo

01.07.13, Alice Alfazema
    Ilustração Lea Bradovich   Era bom que homenageássemos mais vezes a Natureza, pois é por ela que andamos por aqui. Talvez a insatisfação geral que se manifesta no mundo esteja correlacionada com isso. Não sei se há estudos que o comprovem, nem teorias que o digam, mas há sentimentos que sentimos, apenas, quando estamos em contacto com a Natureza.   Alice Alfazema  

Vida

26.06.13, Alice Alfazema
  Eles não sabem que o sonho é uma constante da vida tão concreta e definida como outra coisa qualquer, como esta pedra cinzenta em que me sento e descanso, como este ribeiro manso em serenos sobressaltos, como estes pinheiros altos que em verde e oiro se agitam, como estas aves que gritam em bebedeiras de azul.   Eles não sabem que o sonho é vinho, é espuma, é fermento, bichinho álacre e sedento, de focinho pontiagudo, que fossa através de tudo num perpétuo movimento.   Eles (...)

Lá em cima, cá em baixo

25.03.13, Alice Alfazema
  Depois à noite  deitado no fundo do barco, novo baptismo: o do abismo.   Por exemplo: que nome darei àquela estrela que neste mesmo instante nasceu?   Talvez «Outro Buraco-No-Véu.»   (Ou «Estarei a mais no céu?»).   José Gomes Ferreira, Poesia VI Alice Alfazema