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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Advento 2021

Dia 27

24
Dez21

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Fotografia Kris Tynski

E estamos assim já na véspera de Natal, quase no final deste advento, como sempre o tempo corre e nem damos por isso, umas vezes parece-nos veloz outras lento, o certo é que é um dos bens mais preciosos que temos, também ele um nosso aliado, que nos faz amainar tudo aquilo que nos possa ter feito sofrer, aos poucos lembrar-nos-emos apenas daquilo que importa, e há medida em que temos mais tempo nos ossos as nossas escolhas são feitas em função disso: o que importa, o que nos faz bem, as boas pessoas. 

Dizemos que são tempos de resiliência, tempos para esquecer, no entanto um tempo em que envolve competências para a resiliência não é um tempo para ser esquecido, é um tempo para festejar, porque fomos capazes, porque nos adaptámos, porque transformámos as nossas vidas ultrapassando barreiras emocionais, porque partilhamos os nossos medos e as nossas angústias, é um tempo sem vencidos, é um tempo liso, fresco, e de liberdade em que sem querer nos pusemos à prova. Talvez o maior sucesso, seja aquele de não dar por aquilo que se passa e depois sentir que afinal tudo é possível.

Quero desejar-vos, a todos os que passam por aqui,  um Feliz Natal,  quero também agradecer as vossas palavras, e dizer-vos que nada é permanente por isso para mim a melhor prenda será sempre o Presente. Obrigada por estarem Presente. 

 

Blogues

Uma página com gente dentro

08
Set21

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Ilustração  Daria Rosso

 

 

Há dias em que cada pessoa que encontro, e, ainda mais, as pessoas habituais do meu convívio forçado e quotidiano, assumem aspectos de símbolos, e, ou isolados ou ligando-se, formam uma escrita profética ou oculta, descritiva em sombras da minha vida. O escritório torna-se-me uma página com palavras de gente; a rua é um livro; as palavras trocadas com os usuais, os desabituais que encontro, são dizeres para que me falta o dicionário mas não de todo o entendimento. Falam, exprimem, porém não é de si que falam, nem a si que exprimem; são palavras, disse, e não mostram, deixam transparecer. Mas, na minha visão crepuscular, só vagamente distingo o que essas vidraças súbitas, reveladas na superfície das coisas, admitem do interior que velam e revelam. Entendo sem conhecimento, como um cego a quem falem de cores.

 

Bernardo Soares, in Livro do Desassossego, para ler aqui.

A ler por aí

06
Abr21

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Li há dias dois textos que versavam sobre os mesmos temas, num o autor expressava-se com frases curtas, com palavras fáceis de identificar,  não havendo nele qualquer vestígio de escrita criativa, poderia ser monótono lê-lo, mas não, a escrita fluía e levava à descoberta, e em cada paragrafo o leitor sentia o cuidado posto naquelas palavras sobre um tema tão cruel, levando-nos à sua compreensão. 

No outro  texto, o autor fazia jus ao seu poder descritivo, dando em cada frase um concordância verbal e criativa que levava o leitor a descortinar o sentido daquilo que se pretendia descrever, apesar de tudo não vi nele nada que acrescentasse maior riqueza entre um texto e outro. Diria até, que no primeiro texto que li, senti a necessidade de compreender aquelas palavras simples, enquanto que no outro fiquei apenas a ler sem absorver nada daquilo.