Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

E porque hoje é dia internacional do blog

31
Ago25

Logo pela manhã a Maribel relembrou-me que hoje é o dia internacional do blog, é muito interessante aquilo que reflecte neste postal do dia de hoje. 

FB_IMG_1756659916149.jpg

Este blog à beira mar plantado, literalmente,  do qual vos escrevo, tem quinze anos de vida, que este ano não assinalei, daqui me permito dar asas à escrita e à imaginação, se bem que não tenho sido muito assídua, mas isso é exactamente a liberdade que um blog nos dá, não vejo que tenha de haver arrependimentos, nem desculpas sobre isso, porque por vezes a vida nos leva a percorrer carreiros de cabras em que é difícil voltar à estrada, e foi exactamente isso que aconteceu, não que seja mau, quando está a acontecer parece, dói no corpo e na alma, mas depois é um despertar totalmente diferente, tal como viajar nos torna outros, ultrapassar obstáculos também nós dá sentimento de medalha ao peito.

FB_IMG_1756659924206.jpg

Quando comecei aqui a escrever, não precisava de óculos para o fazer, hoje tenho de colocá-los, os meus filhos eram menores de idade, nunca tinha tido um cão, não tinha uma licenciatura, de entre outras coisas, hoje tenho tudo isso, foi um longo caminho que percorri. Não tenho razões de queixa deste espaço, fui sempre bem recebida e acarinhada, algumas vezes mencionada por outros blogs e até pela Equipa do Sapo.

Gostaria de destacar especialmente que é muito gratificante a partilha das gentes que pertencem aos blogs do Sapo, recebo frequentemente comentários que me trazem mensagens das quais preciso naquele momento e que me levam a reflectir sobre o quanto fazemos falta uns aos outros, tenho contudo, saudades dos que se foram como brisas, fazem-me falta, quer pela sua escrita, quer pelo seu sentido de humor ou critico, no entanto é de relembrar, que “Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós”.

FB_IMG_1756659906676.jpg

As frases no fundo negro são uma homenagem a Luís Fernando Veríssimo, que nos deixou esta semana, e é isto, vamos perdendo as referencias, como fruta madura que fica no chão.

Para aqueles que pintam ideias

como se as palavras fossem cores (e não coisas meramente intelectuais)

21
Mai23

IMG_20230519_083009.jpg

É interessante vermos quantas vezes mudamos ao longo da vida, do sentimento que tivemos inicialmente, qual semente perdida no cosmos individual, cuja capacidade é infinita, consoante o momento e a ocasião vivida. 

Já fui árvore junto dos meus, já fui erva daninha para muitos, mas aquilo que sou pouco importa agora neste exacto momento, porque fui feita de muitas ocasiões. Projectar-me para fora de mim é um exercício aliciante, permite-me exercer o meu livre arbítrio de forma silenciosa e solitária. 

Recorro a um dicionário que é só meu, cujas palavras apenas têm o seu significado segundo as minhas próprias experiências, a ninguém mais interessa o valor que lhes dou, são segundo os meus valores e as minhas crenças as quais sinto e vejo à minha maneira, no entanto admiro-me sempre que encontro outros como eu, sinto-os  como velhos conhecidos no tempo e no espaço, coisa estranha de se dizer, muito mais de se escrever, e aí encontro a mesma casa, cada qual com a sua entrada.

Tenho recordado pessoas, sensações, ideias e sentimentos, não só de pessoas que conheço realmente, mas também daquelas que apenas conheço nas suas palavras, não é reflexão que se faça num só dia, são coisas de anos, e chego à quase conclusão que as conheço, que precisava daquela ideia para alavancar outras, que os sentimentos são comuns, que algo nos fez caminhar de encontro ao mesmo carreiro, no entanto continuo à procura, tal e qual uma formiga num carreiro já conhecido, ou como raízes de árvores que se entrelaçam abaixo do solo, sem que ninguém perceba a conexão, coisa invisível, mas que está visível, tanto em baixo como em cima. 

Pensar por pensar, numa busca de ideias sem pretensões de chegar a uma opinião, porque as opiniões mudam e as ideias fluem alcançando outras sinapses, as opiniões são elementos académicos, enquanto as ideias são criatividade pura, chegam de rompante e depressa se esfumam é preciso agarra-las, mas elas não se querem em gaiolas, querem-se livres para que outros possam também usufruir desse lado ilógico do Ser.

Pergunto-me o que tenho trazido e o que levo comigo, sei que agora é mais que ontem, mas o futuro pode ser menos que o presente, no entanto isso não é impedimento de nada, são opções.

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros. Treze anos disto.

Estou de viagem

19
Fev21

viagem.jpg

Ilustração Andrea Calisi

Pode parecer repetitivo, e é. É como se andássemos naquela roda de rato, andando sem parar, sempre no mesmo sítio. E é isto que perdura há cerca de um ano, enquanto arrastamos connosco a mala cheia de dúvidas, medos, projectos. E o caminho continua, estamos a vê-lo, uns dias estreito, outros largo, mas há medida que o tempo passa, a mala vai estando mais pesada, e não podemos parar, porque o tempo não pára, continuamos, como numa maratona, doendo, doendo, já sem dar por isso, apenas seguimos.

Tenho feito, grande parte desta viagem por aqui, foram muitas horas aqui a partilhar as minhas emoções, confesso que isso me fez muito bem, deu leveza à minha mala.  

 

 

5000

22
Dez20

apertar a mão.jpg

Ilustração Olga Demidova

 

Era uma vez uma estrela e um estrelo que viviam no profundo azul do espaço, utilizavam a sua luz para emitirem as suas emoções e comunicarem um com o outro, assim mesmo estando longe pareciam unidos por aquilo que sentiam. Não utilizavam sorrisos, nem sabiam o que eram abraços, os seus sentimentos eram transmitidos através da canalização de uma energia mental que poderia ser utilizada sem limites. Uma vez de cinco mil em cinco mil anos sentavam-se na Lua, quando ela estava em quarto minguante e aí tocavam-se levemente para poderem adquirir um outro brilho, nunca podiam estar mais de dez segundos juntos, porque podiam desaparecer numa explosão de cores, apesar de saberem que isso poderia ser um fim majestoso e unificá-los, preferiam separar-se e iluminar cada um o seu espaço. Então, num repentino clarão de luz os dois separaram-se deixando cada um rastro de luz violeta que se esvaiu em diversas direcções dando origem a mais estrelas e estrelos minúsculos que tentavam encontrar a melhor forma de iniciar o seu caminho, seria longa esta viagem, alguns teriam sucesso quando encontrassem o seu brilho, saberiam o que fazer com ele e o espalhariam a outros, numa dinâmica perpetuada no rendilhado nocturno.