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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Desejos de Natal

24
Dez25

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Os tempos não estão fáceis, porque estão-se perdendo valores que foram semeados a muito custo, porque a realidade é distorcida a olhos vistos, estamos num inverno de emoções e ações, e afinal o que é o Presépio? 

 

O Presépio somos nós

É dentro de nós que Jesus nasce

Dentro destes gestos que em igual medida

a esperança e a sombra revestem

Dentro das nossas palavras e do seu tráfego sonâmbulo

Dentro do riso e da hesitação

Dentro do dom e da demora

Dentro do redemoinho e da prece

Dentro daquilo que não soubemos ou ainda não tentamos

 

O Presépio somos nós

É dentro de nós que Jesus nasce

Dentro de cada idade e estação

Dentro de cada encontro e de cada perda

Dentro do que cresce e do que se derruba

Dentro da pedra e do voo

Dentro do que em nós atravessa a água ou atravessa o fogo

Dentro da viagem e do caminho que sem saída parece

 

O Presépio somos nós

É dentro de nós que Jesus nasce

Dentro da alegria e da nudez do tempo

Dentro do calor da casa e do relento imprevisto

Dentro do declive e da planura

Dentro da lâmpada e do grito

Dentro da sede e da fonte

Dentro do agora e dentro do eterno

 

Poema de José Tolentino Mendonça

 

Desejo-vos um Bom Natal!

Fogueira das vaidades

15
Ago25

Vezes sem conta é repetido o cenário de fogo que assola Portugal há semanas, enquanto o primeiro ministro e o presidente da república andam a banhos pelo reino dos algarves, entre copos de cerveja, para eles ficou para primeiro plano o anúncio da vinda do espectáculo da fórmula um, condiz perfeitamente com aquilo que se passa na actualidade: uma guerra não é uma guerra, é antes uma crise; um genocídio não é um genocídio é uma defesa de um país contra o terrorismo; um dos candidatos ao prémio nobel da paz é um dos gajos que faz negócios de armas e de moral duvidosa.

Por isso está tudo bem, e em perfeita harmonia com os valores que se querem para esta nova realidade.

E tu já pintaste uma tela?

06
Nov23

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A liberdade é agora quadrada, assim como quadrado é o tempo, as madrugadas de hoje são planas e dos botões quadrados escorregam letras que se fazem palavras, agrupadas ou separadas por virgulas e pontos, com exclamações e interrogações, fervilham lentamente pelo cosmos da luz azul, relembrando velhas lendas, criando demónios, cascatas de vozes proferidas em silêncio, nem no cérebro, nem na boca, apenas na planície cálida invocada num expirar de utopia, navegando, navegando sem sair do lugar.

Espezinhando as vozes que não se adivinham, loucura sem som, como um louco divino sem corpo. Indo e vindo no chumbo cinzento de um fim de dia desigual tão transparente que murmura no lamacento quotidiano sem grande propósito. O final quadrado que começa quando acaba. 

Que tipo de notícias poderiam alterar a situação de insegurança mental que se vive atualmente?

27
Out23

Diz-se constantemente que vivemos na era da informação, contudo a desinformação atinge patamares mais elevados que a própria informação, desde as falsas notícias à notícia constante de imagens de guerra e relatos repetidos até à exaustão dos cenários de guerra, as capas de jornais e as aberturas dos telejornais raramente fazem relevo às boas coisas que se passam pelo mundo, não existe neutralidade naquilo que é difundido, parece-me ser uma carnificina literária, até que ponto estas notícias, e a sua banalização diária,  influenciam a nossa saúde mental? A forma como vemos o mundo? Ou a influência que isso pode ter no nosso futuro colectivo como espécie? Já que de uma forma ou de outra os órgãos de comunicação também têm a função de educar (fazer adquirir conhecimentos e/ou competências). Ou nas negociações para a Paz? Há quanto tempo não se houve falar sobre negociações para a Paz? Que tipo de jornalismo e de  lideres temos que se resumem ao diz que disse e ao faz que fez, está tudo formatado, tal como souvenirs de Fátima feitos na China.