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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Rugas

26.12.20, Alice Alfazema
Fotografia de Artur Pastor, Póvoa do Varzim, Portugal, décadas 50/60, séc. XX.    As rugas fazem-me lembrar as páginas de um livro, como se em cada uma houvesse passagens diferentes, diálogos, lembranças, tristezas, o tempo, o tempo que foi preciso para que cada uma delas se tornasse visível, o que levou a que isso acontecesse e as outras que vão surgindo, sobrepondo-se a todas as outras, e aquelas já profundas, e as que emergem quando um riso força as instaladas a serem (...)

Serra da Arrábida

Fotografia Artur Pastor poema de Sebastião da Gama

18.06.20, Alice Alfazema
  Nada sabe do Mar quem não morreu no Mar. Calem-se os poetas e digam só metade os que andam sobre as ondas suspensos por um fio.     Sabe tudo do Mar quem no Mar perdeu tudo. Mas dorme lá no fundo, tem os lábios selados, e os olhos, reflectem e claramente explicam os mistérios do Mar, para sempre fechados.       Fotografia Artur Pastor, Portinho da Arrábida décadas de 40/60, Serra da Arrábida, Setúbal. Poema, Inscrição de Sebastião da Gama.

Onde fica a fissura?

20.02.20, Alice Alfazema
  Fotografia Artur Pastor       Sempre vivemos para além da memória apesar do lapso apunhalando o tempo Porque antes fomos connosco noutra hora, e agora voltamos quando já nos esquecemos Onde fica a fissura, a brecha por onde passámos a chegarmos de novo ao nosso presente Infringindo as regras das horas improváveis hoje igual a ontem, já inexistente Partimos e tornamos na nossa eternidade assim a repeti-la num infindo repente Perdidos um do outro sempre a regressarmos, revertendo (...)

Fotografias de Artur Pastor: Setúbal

17.02.19, Alice Alfazema
Esta gente cujo rosto  Às vezes luminoso  E outras vezes tosco  Ora me lembra escravos  Ora me lembra reis    Faz renascer meu gosto  De luta e de combate  Contra o abutre e a cobra  O porco e o milhafre  Pois a gente que tem  O rosto desenhado  Por paciência e fome  É a gente em quem  Um país ocupado  Escreve o seu nome      E em frente desta gente  Ignorada e pisada  Como a pedra do chão  E mais do que a pedra  Humilhada e calcada      Meu canto se renova  (...)