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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Advento 2021

Dia 27

24
Dez21

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Fotografia Kris Tynski

E estamos assim já na véspera de Natal, quase no final deste advento, como sempre o tempo corre e nem damos por isso, umas vezes parece-nos veloz outras lento, o certo é que é um dos bens mais preciosos que temos, também ele um nosso aliado, que nos faz amainar tudo aquilo que nos possa ter feito sofrer, aos poucos lembrar-nos-emos apenas daquilo que importa, e há medida em que temos mais tempo nos ossos as nossas escolhas são feitas em função disso: o que importa, o que nos faz bem, as boas pessoas. 

Dizemos que são tempos de resiliência, tempos para esquecer, no entanto um tempo em que envolve competências para a resiliência não é um tempo para ser esquecido, é um tempo para festejar, porque fomos capazes, porque nos adaptámos, porque transformámos as nossas vidas ultrapassando barreiras emocionais, porque partilhamos os nossos medos e as nossas angústias, é um tempo sem vencidos, é um tempo liso, fresco, e de liberdade em que sem querer nos pusemos à prova. Talvez o maior sucesso, seja aquele de não dar por aquilo que se passa e depois sentir que afinal tudo é possível.

Quero desejar-vos, a todos os que passam por aqui,  um Feliz Natal,  quero também agradecer as vossas palavras, e dizer-vos que nada é permanente por isso para mim a melhor prenda será sempre o Presente. Obrigada por estarem Presente. 

 

O rio é um tesouro

09
Set20

o rio é um tesouro.jpg

 

A menina chegou perto do Rio e viu que ele parecia um tesouro. A luz do Sol fazia brilhar a água tal como brilham as pedras preciosas. E disse em voz alta:

- O Rio parece um tesouro!

E a gaivota que por ali andava ouviu-a e disse numa voz estridente de gaivota dos mares:

- É verdade, o Rio é um tesouro escondido à vista de toda a gente!

A menina assustou-se com aquela voz, e levou algum tempo a perceber quem tinha falado. Depois ficou admirada, porque as gaivotas não falam, mas a gaivota dos mares esclareceu-a:

- Só compreende a minha voz quem tem a capacidade de descobrir tesouros, tu és uma dessas pessoas, apenas tu ouves as minhas palavras, os outros ouvem os meus guinchos, faz que me dás de comer e eu revelo-te o tesouro que está escondido nestas águas que vês à tua frente.

A menina assim fez, e ali na muralha, com o cheiro da maresia no ar a gaivota lhe contou:

- Sabes que o Rio serve de estrada? Quando as pessoas querem chegar à outra margem usam os barcos como meio de transporte, mas também os usam para ganharem o seu salário e sustentarem a sua família. O Rio é a casa de muita gente, aqui vivem: golfinhos, polvos e muitas espécies de peixe, alguns deles vêm do Oceano para desovar aqui. Desovar quer dizer: deixar aqui os seus peixes bebés, tal como numa maternidade onde estão os bebés humanos. Esses peixes pequeninos crescem nas pradarias marinhas, junto dos cavalos marinhos e de moluscos. As pradarias marinhas protegem esses peixinhos, dando-lhes abrigo das correntes e de outros peixes maiores e até dos humanos, para que depois eles cresçam e um dia voltem aqui para deixarem cá os seus filhos. E o Rio também tem estrelas, estrelas que se mexem e andam pela areia do fundo do rio, algumas são coloridas e há também ouriços que têm muitos picos fininhos. E há algas fortes e escorregadias que parecem que dançam ao som da corrente marítima. São nessas correntes marítimas que os peixes aproveitam para nadar em alta velocidade. Como se fosse uma estrada feita de mar. Eu às vezes espreito para dentro de água, mas o que mais gosto é perseguir um barco cheio de peixe, ou então nas horas de lazer fazer voos rasantes nas ondas. Durmo em cima de uma rocha quando está mau tempo e bóio tranquilamente quando as águas andam calmas. Como podes ver o Rio é mesmo um tesouro. É um tesouro de vida. 

 

 

 

Este texto é dedicado às filhas da Joana e a todos vocês que me ajudaram a alcançar a outra margem e a manter-me à tona sempre que o Rio estava mais agitado e a travessia parecia não ter fim. Obrigada por me terem acompanhado, pelas vossas palavras, pela escuta, pelos exemplos, pela vossa escrita, pela informação, pela motivação, pela diversidade que há em cada blog. Os amigos também são um Tesouro, sejam eles virtuais ou não. Um Abraço Gigante.