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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Simplicidade

21.02.20, Alice Alfazema
Ilustração Jungho Lee     alguém devia separar a inquietação do tempo ouvir os cânticos não humanos da terra serenata de peito aberto aceito o abrandamento da respiração e o vento protector engrandece a ideia de raiz a simplicidade chama-se pedra-folhagem-animal e voa a verdade tem nome de pássaro azul com alma tu e eu em prece murmurada de escuta tu e eu e as primeiras águas tu e eu em construção ainda que não haja tempo para edificar a árvore do mundo     Poema (...)

Alma líquida

06.06.19, Alice Alfazema
  Ilustração Aykut Aydoğdu     Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim. A tua beleza aumenta quando estamos sós E tão fundo intimamente a tua voz Segue o mais secreto bailar do meu sonho. Que momentos há em que eu suponho Seres um milagre criado só para mim.     Sophia de Mello Breyner Andresen          

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20.09.18, Alice Alfazema
  Ilustração  Fernando Cobelo         Ter opiniões definidas e certas, instintos, paixões e carácter fixo e conhecido — tudo isto monta ao horror de tornar a nossa alma um facto, de a materializar e tornar exterior. Viver é um doce e fluido estado de desconhecimento das coisas e de si próprio (e o único modo de vida que a um sábio convém e aquece).   Saber interpor-se constantemente entre si próprio e as coisas é o mais alto grau de sabedoria e prudência.   A nossa (...)

Circular

03.09.18, Alice Alfazema
  Ilustrações de  Roman Muradov     Conheci um homem que possuía uma cabeça de vidro. Víamos - pelo lado menos sombrio do pensamento - todo o sistema planetário. Víamos o tremelicar da luz nas veias e o lodo das emoções na ponta dos dedos. O latejar do tempo na humidade dos lábios. E a insónia, com seus anéis de luas quebradas e espermas ressequidos. As estrelas mortas das cidades imaginadas. Os ossos (tristes) das palavras. A noite cerca a mão inteligente do homem que (...)