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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alma líquida

06.06.19, Alice Alfazema
  Ilustração Aykut Aydoğdu     Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim. A tua beleza aumenta quando estamos sós E tão fundo intimamente a tua voz Segue o mais secreto bailar do meu sonho. Que momentos há em que eu suponho Seres um milagre criado só para mim.     Sophia de Mello Breyner Andresen          

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20.09.18, Alice Alfazema
  Ilustração  Fernando Cobelo         Ter opiniões definidas e certas, instintos, paixões e carácter fixo e conhecido — tudo isto monta ao horror de tornar a nossa alma um facto, de a materializar e tornar exterior. Viver é um doce e fluido estado de desconhecimento das coisas e de si próprio (e o único modo de vida que a um sábio convém e aquece).   Saber interpor-se constantemente entre si próprio e as coisas é o mais alto grau de sabedoria e prudência.   A nossa (...)

Circular

03.09.18, Alice Alfazema
  Ilustrações de  Roman Muradov     Conheci um homem que possuía uma cabeça de vidro. Víamos - pelo lado menos sombrio do pensamento - todo o sistema planetário. Víamos o tremelicar da luz nas veias e o lodo das emoções na ponta dos dedos. O latejar do tempo na humidade dos lábios. E a insónia, com seus anéis de luas quebradas e espermas ressequidos. As estrelas mortas das cidades imaginadas. Os ossos (tristes) das palavras. A noite cerca a mão inteligente do homem que (...)

O segredo

17.08.16, Alice Alfazema
Vou-vos contar um segredo que vai mudar as vossas vidas para sempre. É um segredo que merece ser revelado. Nos dias que correm cada vez vivemos mais stressados, com raivinhas disto e daquilo. Uns sentem-se incompreendidos, outros injustiçados e por ai fora. Cada qual com os seus problemas.    O segredo que tenho para vos contar é verdadeiramente perturbador, de tão simples que é. Não o encontrei em nenhum livro de auto-ajuda, nem mo disse nenhum especialista credenciado.    C (...)

Alma

30.08.15, Alice Alfazema
Ilustração Masha Kurbatova   Pelo Sonho é que vamos, comovidos e mudos. Chegamos? Não chegamos? Haja ou não haja frutos, pelo sonho é que vamos. Basta a fé no que temos, Basta a esperança naquilo que talvez não teremos. Basta que a alma demos, com a mesma alegria, ao que desconhecemos e do que é do dia-a-dia. Chegamos? Não chegamos? - Partimos. Vamos. Somos. Sebastião da Gama   Alice Alfazema  

Cacos

06.04.15, Alice Alfazema
Ilustração Annie Stegg     A minha alma partiu-se como um vaso vazio. Caiu pela escada excessivamente abaixo. Caiu das mãos da criada descuidada. Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso. Asneira? Impossível? Sei lá! Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu. Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir. Fiz barulho na queda (...)

No meu aquário

12.06.13, Alice Alfazema
  Lá dentro o mundo é mental. Tudo paira. Na água as borbulhas espalham ondinhas. Ei-los de risquinhas. Não me canso de olhá-los. Naquele rectângulo de vidro, com água morna, paus, cascas de coco, pedras e pedrinhas há vidas cheias de escamas que se cruzam milhentas vezes por dia.   Ninguém fala para si mesmo em voz alta. Já que todos somos um, falemos desse outro modo.