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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Ser ou não ser europeus

24.06.16, Alice Alfazema

 

Há uma música do povo,

Nem sei dizer se é um fado -

Que ouvindo-a há um chiste novo

No ser que tenho guardado...

 

Ouvindo-a sou quem seria

Se desejar fosse ser...

É uma simples melodia

Das que se aprendem a viver...

 

E ouço-a embalado e sozinho...

É essa mesma que eu quis...

Perdi a fé e o caminho...

Quem não fui é que é feliz.

 

Mas é tão consoladora

A vaga e triste canção...

Que a minha alma já não chora

Nem eu tenho coração...

 

Se uma emoção estrangeira,

Um erro de sonho ido...

Canto de qualquer maneira

E acaba com um sentido!

 

 

Fernando Pessoa, 1928.

 

 

Alice Alfazema

 

 

 

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