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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Rugas

26.12.20, Alice Alfazema

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Fotografia de Artur Pastor, Póvoa do Varzim, Portugal, décadas 50/60, séc. XX. 

 

As rugas fazem-me lembrar as páginas de um livro, como se em cada uma houvesse passagens diferentes, diálogos, lembranças, tristezas, o tempo, o tempo que foi preciso para que cada uma delas se tornasse visível, o que levou a que isso acontecesse e as outras que vão surgindo, sobrepondo-se a todas as outras, e aquelas já profundas, e as que emergem quando um riso força as instaladas a serem colocadas para segundo plano por breves instantes.

 

Uma vida, escrita na cara, esculpida sem darmos conta, a pele curtida desfeita de tudo, a boca murcha, os olhos escondidos numa concha. São montes e vales, quantos pôr-de-sol, primavera e verão sorvendo as magoas. Quando de ti podemos ler na tua cara?

 

 

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