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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Regeneração

03.08.18 | Alice Alfazema

 

 

 

Ando a fazer umas limpezas cá em casa. Estou a forrar os armários da cozinha, gosto de abrir os armários e as gavetas e ver algo colorido lá dentro, mania minha. Este ano são morangos, vermelhos e grandes. Também acho prático e ajuda a manter e a proteger os materiais durante mais tempo. Estão a ficar catitas. 

 

 

 

 

 

Este ano quero me livrar de tudo aquilo que me é inútil. Coloquei uns copos que tenho há muitas luas a uso, são bonitos e trabalhados, daqueles em que se serve uísque, a minha filha protestou dizendo que são giros e assim estragavam-se, respondi prontamente, que isto da idade nos dá outra sabedoria: Não ponho a uso? E depois o que acontece? Todos os anos tenho de lava-los e guarda-los, nisto já vai mais de vinte anos, entretanto eu vou desta para melhor e tu vais doa-los para serem sorteados numa quermesse qualquer, assim uso eu! Houve uma concordância silenciosa e o pai disse: a tua mãe quer libertar espaço. Isto nos homens é sempre uma questão técnica.  Com estes copos hei-de dar uma  jantarada para que fique claro que servem para alguma coisa e também para adquirirem uma boa energia sempre que se vejam em cima da toalha. 

 

 

 

 

Isto das limpezas é muito doloroso mentalmente, mas ao mesmo tempo é libertador. Ao nos livrarmos daquilo que não desejamos cria-se espaço mental e físico para um outro tipo de energia, no fundo regenera-nos. 

 

 

 

 

Esta é uma limpeza preguiçosa, está muito calor. Vou fazendo e relaxando em cima do sofá, mais um copito de água. Volto à tardinha, que já está mais fresquinho, desconfio de que quando acabar, estarei pronta para uma nova ronda. 

 

 

 

 

 

Ilustrações de Jennifer Balkan