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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Refastelar

21.08.15, Alice Alfazema

 

Ando muito cansado
Tudo me dói
As pernas, os braços
Os pensamentos
As memórias dos passos
Que fui dando
Os efémeros carinhos dos afectos.
Errante pela vida estou
Até ao mobiliário diferente uso dou
Sento-me refastelado
Neste sofá, acordado
E acordo ali deitado
Ainda mais cansado.
E assim passo os dias
As noites
Como se o momento fosse de intervalo
Meia hora ao sol
Na prisão onde fui condenado
A passar o meu tempo
Por algo que fiz e não lembro.
 
 

 

Joaquim Marques
 
 
Acordar e dormir, o tempo que passa inexoravelmente, a sensualidade dos corpos na cama, a realidade onde temos que distribuir nossas atenções; neste limbo ainda antes de despertar, as palavras Cama para Sonhar me vieram talvez em sonho, talvez consciente. Elas vieram de algum lugar muito distante, mas ao invés de guiar-me ao inconsciente que tanto buscava, estas palavras trouxeram-me a tona. Elas pareceram-me uma proposta. Primeira imagem deste livro, Cama para sonhar é uma foto, uma proposição poética, pois toda cama é feita para dormir e portanto sonhar mas esta é “a” cama para sonhar. É um alerta, um lembrete que quando deitamos numa cama e fechamos os olhos saímos da realidade. A ideia de que de olhos cerrados podemos ver além, mas ainda assim um outro mundo muito parecido com o nosso. O inverso também é verdade, quando abrimos demais os olhos para as coisas mundanas, a realidade se torna onírica, se transforma num sonho próximo do sono profundo.
 
 
Ricardo Sardenberg
 
 

Retirado daqui.

 

 

Alice Alfazema