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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Reencarnação

28
Jan22

 

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Ilustração Lizzie Riches

Por vezes dou por mim a imaginar-me numa vida passada, assim vestida e penteada como a mulher da figura, talvez seja daí que venham os medos ou quem sabe a normalidade de sentir que aquilo já foi vivido, será que somos como as sementes que nascem e morrem vezes infinitas? Os nossos gostos, ou a capacidade de imaginar, de onde vem? Será que somos meros fantoches que se desenvolvem consoante a vontade de alguém que está a jogar? A nossa vida aqui e agora, ou a nossa vida agora e depois? Eu se tivesse oportunidade de viver muitas vidas, nunca viveria uma igual à outra, mas também queria viver num corpo de um lobo, ou de um condor, de uma baleia de bossas, ou ser um tubarão branco, um cogumelo, uma árvore secular, um dente de leão, ou uma abelha, imaginar ter essa diversidade em mim faz-me querer que seja verdade essa possibilidade de existir uma e outra vez. 

 

Ser mais ser – essa ideia dos livros de Platão
renasce em cada amanhecer
cada vez que tento conhecer meu próprio eu

ser mais ser – impulsiona-me
através da ponte da ilusão

ser mais Ser - como o condor
que seus medos mais profundos arrasa
e estende as suas poderosas asas
e avança sentindo a pesada âncora do silêncio
que perpassa suas retinas e seu coração

o condor estende suas enormes asas
e com seu olhar íntegro e agudo
sobrevoa os muros
e invade o infinito.

Poema de Isabel Furini

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