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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Que caminho é este

29.09.19, Alice Alfazema

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Que caminho é este, que parece levar ao mar, mas não, para além dele há serras e montes, só depois os rios e o mar. É um caminho estreito, com uma estrada já gasta, pouco estimada, ladeada de seres silenciosos e verdes, que abanam com o vento, acolhem a chuva e os pássaros, tem compromissos com os insectos, dão sombra fresca e purificam o ar que respiramos.

 

Que caminho é este que percorremos em estado neurótico, dando prioridade à especulação, ao egoísmo e à ganância. Que estrada tão sinuosa e cheia de armadilhas, onde a miséria se mantém à espreita sentada em baloiços de oiro, empurrados pela ignorância e com lacinhos de sadismo. 

 

Que caminho é este que afunila a cada dia, entrando cada vez mais gente em carreiro, dão tudo o que não têm, dão tudo o que não podem, têm os dias contados, mas pensam que têm a eternidade, e vão, sem virem, num único sentido, nada têm consigo, vazios, vagos, vendidos. Vendem-se sem valor, casos ocos, mudos, sem atitude.  

 

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