Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Quantas mães deitaram os filhos no lixo

10.11.19, Alice Alfazema

A mãe que deitou o bebé no lixo chama-se Sara e tem 22 anos, não tem morada, nem cama, nem nada (gosto deste texto pela verdade que descreve). A mãe que deita o bebé na rua e não lhe dá o pequeno-almoço, nem conversa com ele, nem quer saber se vem bem vestido para a escola, a mãe que engorda o bebé como se fosse um porco para a matança, a mãe que grita e bebe e só quer saber de redes sociais, a mãe que muda de namorado todos os meses, a mãe que deixa sempre o filho na avó, a mãe que trabalha até mais não, procurando apenas o trabalho, a mãe que não abraça, a mãe que não afaga, a mãe que tudo compra para compensar o resto, a mãe criançola, a mãe destrutiva, a mãe deprimida, a mãe noctívaga, a mãe que se preocupa mais com o tamanho das unhas e as madeixas do cabelo, a mãe que quer ser irmã em vez de mãe, a mãe porca e desleixada, a mãe stressada, a mãe que culpa os filhos, a mãe que exige que se comportem como adultos, a mãe que desculpa tudo, a mãe que não impõe regras. Todas estas mães deitaram os filhos no lixo. 

6 comentários

  • Imagem de perfil

    Alice Alfazema

    10.11.19

    Não é castrador, apenas começamos a viver de uma outra forma, sermos "mãe" dá-nos acesso a um amor incondicional, de parte a parte, é certo que exige resiliência, e quando damos por isso estamos a milhas do que fomos, mas não é algo mau, porque recebemos bastante. É também algo que se aprende.
  • Imagem de perfil

    Sara

    10.11.19

    Usei esse termo porque ao ler isto pensei: nunca vou conseguir cumprir isto tudo - não ser infantil, não ser desleixada, não abraçar de menos, não trabalhar de mais, não ter vida sexual, não ser deprimida, não ser boa dona de casa...Mais vale não ter e evitar que vão para lixo então. Não me parece que ninguém consiga, em especial quando tudo isso só parece ser exigido de uma das partes...Não resolve a apontar o dedo à miúda que atirou o bebe fora, mas uma lista de más mães também não - ao olhar para um caso como este penso no aumento da pobreza, falta de habituação, falta de apoio social e apoio à saúde mental, por exemplo.
  • Imagem de perfil

    Alice Alfazema

    10.11.19

    Sara, quando enumerei estes "casos", fi-lo com a intenção de referir aquilo que se passa no quotidiano, e nem referi as que violam os filhos, uma mãe pode estar deprimida, stressada, sem vontade sexual, ser acriançada, mas querer ser mãe é contornar tudo isso, não é deixar de existir, nem deixar os filhos à deriva. Há uma enorme lista de más mães, e pais também, ambas as partes têm e devem ser responsabilizadas. A pobreza pode ser um factor, mas não é determinante, há muitos mundos por aí.

    Se não queremos filhos é uma opção nossa, mas se os temos é necessário adaptarmo-nos, criar novos hábitos, há por aí crianças muito infelizes, a realidade é tão má como ver aquela criança no lixo.

  • Imagem de perfil

    Sara

    11.11.19

    O que eu queria dizer é: não percebi o que é que isso,outras mães que fazem isto ou aquilo, acrescenta para o caso de uma sem abrigo grávida a viver numa tenda numa rua de Lisboa à vista de toda a gente...Acho que há problemas concretos a precisar de discussão e perde-se muito no ruído, infelizmente hoje em dia acontece com todos os assuntos...
  • Imagem de perfil

    Alice Alfazema

    11.11.19

    O que acrescenta: o problema é parte da realidade, à vista de toda a gente as outras mulheres também cometem atrocidades, é um caso de ajuda, não de crucificação, provavelmente essa sem-abrigo sofreu daquilo que estou falando.
  • Comentar:

    Mais

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Este blog tem comentários moderados.