Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Pele

06.09.17, Alice Alfazema

 

Ilustração Mauro Silva

 

A pele é uma coisa intensa, trazemos nela tudo aquilo que somos. Pele macia, pele áspera, pele feia, pele bonita, pele velha, pele nova, pele curtida pelo sol, pele cheirosa, pele do dia-a-dia, pele de um dia de folga. Pele com pele somos um. Sentimos na pele o que nos vai no coração. A pele como espelho de um dia duro, de uma vida de preocupações. A pele de quem vive sorrindo. A pele de quem vive sozinho. A pele que quem mora na rua. A pele de quem não se importa. A pele de quem se cuida. A pele dos filhos. A pele do pescador. A pele da jardineira. A pele do actor. A pele do cínico. A pele de quem podes sempre contar. A pele de quem muito chora. A pele quente. A pele gelada. A pele daqueles que amamos e a pele dos outros. O cheiro da pele como meditação de sonhos, risos, juventude, de esperança e de guerras onde existem velhos e novos. A marca de um anel que fica na pele. O aperto de uma mão. A pele da mão, com tantos caminhos desenhados. A pele que segura a carne. A pele que se estende a todo o corpo, uma manta protectora. A pele amarrotada pelos anos, a tua e a minha, a nossa.

 

 

Alice Alfazema