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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Pedras da calçada

09.07.21, Alice Alfazema

pedras da calçada.jpg

Muitas das nossas acções, juntando uma a uma, alinhadas ou desencontradas dariam para fazermos um longo passeio de pedra calcetada, dando espaço, fazendo aquela curva inesperada de um dia que se foi, escolhendo as pequenas, as defeituosas, dando um jeito nas ponteagudas. 

Quem sabe dando espaço a uma oportunidade de crescimento, ignorando balelas, deixando ir. De cócoras, ao sol, de joelho forçado ao chão, calcando tudo, até alisar o caminho. E quando menos preveres acontece. Acontece sentires que tinhas a tua certeza, que é plenamente tua, acreditar, sintoma de início. Pleno de agora, liberdade de escolha independente. Longe de pensamentos podres. Agora, sem limite à imaginação. 

Descobri lá no fundo do quintal, um vaso tão estreitinho, semeado pelo vento, entre duas pedras calcadas crescia sem grande pressa a flor rosa estrelada, envergonhada estendia a pernada fina percorrendo o limite entre o muro e o sítio onde os pés pisavam. Que importa a margem, que seja enquanto dure, a vida é plena mesmo assim. 

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