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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Pedacinhos

13.12.16, Alice Alfazema

O poder de transformar, de criar, de usar a imaginação é surpreendente, o que podemos fazer com pedaços de coisas inúteis?  

 

 

As vozes que se levantam

quando a negra Zita passa,

a mulheres desta massa

são piropos que se cantam

 

Essa crioula danada

tem a pele bronzeada

e o dom da sedução

 

 

Na anca ginga uma morna,

na voz uma coladeira

Sob os pés sempre descalços,

há todo um mar de sargaços,

dunas de sal e areia

 

Da vida nunca se queixa

De seu, nunca teve nada,

a não ser a formosura

e a cor da sua raça.

 

 

Poema de Fernanda Esteves, retirado do livro, Ao Desamparinho da Tarde

 

 

As magnificas ilustrações são de Charis Tsevis.

 

 

Alice Alfazema

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