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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Palavras

15.12.15, Alice Alfazema

 

As palavras ficam assim
Dentro de mim
Arranhando minhas portas
Da Percepção.
As palavras,
Soltas no não,
No desprazer,
Quase mortas,
Me afogam,
Me engasgam,
Me dão prazer,
Me desiludem.
As palavras me iludem,
Saem de mim
Jorrando ou lentamente
Como se eu não fosse delas a dona
Como se não me pertencessem,
Como seu eu não lhes houvera arranjado a sala de estar,
A sala de visitas.
As palavras saem de mim, assim,
como se viessem egressas da visita
De um velho dicionário
De páginas dobradas, encardidas, tomadas pela traça.
Desgastadas pelo tempo.
As palavras saem de mim
Quentes, como vento de verão
Mornas e sem razão.
Pulsantes, eloqüentes, mórbidas
Sórdidas, equalizadas
Tímidas, esquálidas,
simples eruditas, fáceis e fugidias
Esguias Verdades do meu coração.

 

 

 

  Tânia Machado

 

 

 

Alice Alfazema

 

 

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