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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Os mundos

27.12.15, Alice Alfazema

De  onde venho? Sei lá. Para onde vou? Também não sei.

 

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Há quem saiba tudo. Eu não sei de nada. Apenas estou aqui. 

 

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Caminhei até à maré vazia. Deu para caminhar mais longe, ver os baixios e o que restou das ondas que se foram. Foi um ano mentalista, de viagens para dentro, com paisagens para fora. Nem todas as viagens foram alegres, nem todos os tons de escrita puderam ser coloridos, nem todas as palavras fizeram sentido para quem as leu.

 

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Podemos correr sem ir para lado nenhum. No entanto também podemos viver em mundos diferentes dentro de nós. Preocupar-mo-nos com coisa nenhuma. Somos uma gota no universo, ou nem tanto.

 

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Gritamos sem som e rezamos lengalengas. Esquece-mo-nos de nós da esperança e da perseverança. Estamos aqui pelo nada ou por tudo. 

 

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Criamos amarras desnecessárias, em portos imaginários. Temos medos tempestuosos num mundo de imensas cores.  

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Onde estão as tuas asas? Para onde foram os teus sonhos?

 

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O ano resume-se a doze meses? Onde deixas-te os abraços? 

 

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A tranquilidade do silêncio. A magia da cor. Abraças-te o sorriso? 

 

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Cheguei há tanto tempo e há tanto tempo que parti. Estou aqui e não estou. Fui para longe e estou tão perto.

 

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Caminho pela praia quase deserta. Aqueço-me neste caminhar. Sinto os cheiros e os sons. A brisa vem até mim e me trouxe para aqui. 

 

 

Alice Alfazema

 

 

 

 

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