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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

O mundo, as mãos, a tela e a poesia

21.07.14, Alice Alfazema

 

Pintura Omar Ortiz 

 

As mãos feitas em óleo sobre linho, as mãos que levam e trazem o mundo de cada um, as mãos do pintor que a cada pincelada revela a pele e as transforma em movimento de dar e receber. As mãos do poeta, que faz com elas poesia e se rebela com um mundo caduco, onde apenas a solidariedade pode dar força às mãos. As mãos que acolhem, que mudam acções, que matam e que dão vida. É nas mãos que és acolhido quando nasces, quando queres força e carinho, é nelas que escondes a cara quando tens vergonha e quando tens frio. As mãos que podem mudar o mundo para melhor...onde estão?

 

Não serei o poeta de um mundo caduco. 
Também não cantarei o mundo futuro. 
Estou preso à vida e olho meus companheiros 
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças. 
Entre eles, considere a enorme realidade. 
O presente é tão grande, não nos afastemos. 
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas. 


Não serei o cantor de uma mulher, de uma história. 
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela. 
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida. 
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins. 
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, 
a vida presente.

 

Carlos Drummond de Andrade

 

 

Alice Alfazema

 

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