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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

O meu tesouro

04.10.14, Alice Alfazema

Hoje sentei-me à beirinha do Atlântico. As suas ondas rasteirinhas vieram ter comigo, fizeram-me festas de sal. Estive assim, por muito tempo, contemplando e sentindo aquela imensa massa azul. Passaram cães e pessoas. Uma abelha pousou na minha toalha amarela, enquanto eu lia. No meu livro uma aranha minúscula poisou entre as páginas, vinda sei lá de onde, sei que conseguem atravessar oceanos, levadas pelo vento, seres minorquinhas que já viveram uma aventura tão grande. A praia está com pouca gente, o silêncio impera, consigo ouvir um canto de pássaro. As cigarras estão caladas, não sei se voltam a cantar este ano. Os chapéus de sol contam-se em menos de três dígitos. Algumas pessoas bronzeiam-se, mas desconfio que o que ali procuram é a Paz e o Silêncio. O vento brinca, à minha beira, gosto desta expressão nortenha, sinto o aconchego das brisas marinhas, e compreendo na pele os poemas que Sebastião da Gama dedicou a esta Serra. Paira no ar uma saudade das férias. Espero que o descanso venha ter comigo. Sinto o Sol nas minhas costas. Vejo ainda uma gaivota que paira, ao fundo as escarpas agarradas à vegetação rasteira, da qual conheço tão bem o cheiro. As nuvens sorriem-me, aceno-lhes mentalmente. Eu aqui estendida, depois sentada ou com os pés na água salgada e fresca, fico olhando tudo e absorvendo cada mensagem que o Verde e o Azul me mandam. Fico guardando a praia e a serra dentro de mim, para poder buscá-las quando me aprouver, quando em mim as forças falharem e a energia estiver enfraquecendo. Um tesouro no meu coração. 

 

Alice Alfazema

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