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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

O meu aquário

23.07.18 | Alice Alfazema

Estive a olhar para o meu aquário, tem um limpa fundos cor de laranja, algumas plantas, rochas, pedrinhas brancas, e madeiras. As bolhas de água passam por entre as madeiras, e rebentam fazendo pequeninos repuxos.

 

Há semanas os peixes morreram de uma epidemia, sobrou apenas o limpa fundos. Anda por ali sozinho a escavar junto às plantas. Descobri, entretanto que também moram por lá uns búzios pequeninos e uns caracóis, devem de ter vindo junto com as plantas.

 

Sentei-me, então no cadeirão a observar a água que tem bolhas constantes e que faz um barulho relaxante. Os búzios andavam a boiar em circulo, rápidos sem chegarem aos vidros, desviavam-se das plantas, tal como numa pista de atletismo, de casca virada para baixo e cabeça para cima, pareciam estar a divertirem-se, eu pelo menos via alegria naquele vai e vem, de vez em quando fazem uma paragem e agarram-se ao vidro, ou vêm até ao fundo, não são lentos, são até muito rápidos, percorrem o aquário num ápice.

 

Já os caracóis bóiam de uma forma mais leve e airosa, por vezes estão no fundo outras à tona de água. Estando lá em cima bóiam de forma lenta, pairam, numa lentidão que a mim me parece silenciosa. Depois largam-se e vêm a descer água abaixo, numa leveza que me encanta, como se um fio invisível os puxasse para baixo. 

 

E eu fico maravilhada a olhar para estas vidas que eu desconhecia, como me parecem serenas estas tardes a boiar, sem relógio, sem rumo, ser apenas aqueles instantes.